ter?a-feira, 25 de fevereiro de 2020
Colunistas / A Boa Mesa
Dom Franquito

DOM FRANQUITO testa os camarões com molho de espinafre do La Cucina

Um italiano básico, com cardápio enxuto, carta de vinhos modesta e uma ambiente prazeroso
12/06/2016 às 20:19
 O local é simples e tem algum aconchego com vista para o Dique do Tororó quem se senta na área pergolada, em casa com três ambientes - um deles climatizado - e decoração básica, discreta. 

   Falo do Ristorante La Cucina situado no Boulevard América, em Salvador, dica do confrade Paulo Bina e do escriba Délio Pinheiro que por lá vão almoçar, sempre.

   Diria que é um italiano básico, frugal, frequentado por profissionais liberais que atuam no Fórum Ruy Barbosa e outras empresas instaladas no bairro de Nazaré e que também serve a nosotros e a clientes como Bina e Délio que trabalham no Centro Administrativo, lá no CAB.

   Como esta coluna não fala de receitas culinárias, de chefs e suas inovações gastronômicas e sim de locais, de pontos, de restaurantes para normais da classe média e da ambientação em torno deles, da história dos locais, diria que o La Cucina evoca os primórdios de fundação da cidade do Salvador quando se olha para o Dique do Tororó, entre garfadas e goladas.

   Senti a falta de um som ambiente, uma musiquinha italiana de fundo, daí que pluguei no meu iphone Tico Tico no Fubá de Zequinha de Abreu para degustar o prato dos mais apreciados da casa e lembrar-me da fundação da cidade.

   O Dique - ainda não chamado de Tororó - quando acá chegou Tomé de Souza para fundar Salvador, em 1549, era um alagadiço natural que ia desde o fosso no Além Carmo e nas baixadas da hoje Baixa dos Sapateiros até contornos dos Barris na escarpa do Politeama. 

   Nada melhor para Tomé e Luis Dias, os quais procurando um platô seguro para erguer a fortaleza deparar-se com aquele imenso charco, proteção natural a possíveis invasões de nativos tupinambás, e erguer a cidade fortaleza na atual praça Municipal tendo do outro lado a escarpa alta e o mar.

   Pronto: só era colocar duas portas robustas ao Norte do quadrilátero na atual entrada da Praça da Sé e a outra ao Sul na altura do final da Rua dos Mercadores (Chile) e a cidade estaria segura. Mar a Leste, dique natural a Oeste; Norte e Sul com portões.

   E assim nasceu Salvador. Com o tempo a cidade foi crescendo, se urbanizando, chegando ao Carmo sob a invocação de Santo Antonio, e o Dique foi sendo aterrado e espremido restando o que a gente aprecia hoje, um lago que vai dos fundos da Arena Fonte Nova até a rótula dos Barris com sangradouros para a Vasco da Gama e Av Centenário, em direção ao mar que tudo acolhe.

   Diz-se ser a morada de orixás e lá estão estátuas de alguns deles de Tati Moreno. O local está bem conservado aos cuidados da Conder desde a segunda quadra da década de 1990.

   É essa ambientação que se tem da pérgola do La Cucina. 

   Fui atendido pelo garçom Matos, um senhor de meia idade, prestimoso. A carta gastronômica da casa é singela, com poucas opções. Prática. 

   Perguntei a Matos o que sugerira e falou-me de uma burrata com molho pesto, pero, sugeriu também os camarões com creme de espinafre e risoto al salto.

   Já estava embalado noutra versão da canção de Zequinha de Abreu executada por Paco de Luccia topei experimentar os camarões com creme de espinafre.

   - É um prato delicado e nem todos sabem preparar - adverti a Matos em tom de pilheria.

   - O senhor vai gostar, pode confiar.

   Confiei.

   Diria que não foi dos melhores que já saboreei, mas também não é daqueles de se excomungar. Estavam razoáveis os camarões com o crme de espinafre. O arroz não muito simpático.

    Em compensação, a torta de maça com sorvete de coco - aquela torta quente fazendo contraste com o gelato - de tirar o chapéu até para Tomé de Souza.

   O La Cucina é isso: um restaurante com prêço de suas refeições compatíveis com o momento de crise em que vivemos, excelente serviço, atendimento prazeroso, pessoas alegres, um espécie de cantinho agradável e até charmoso do Boulevard.

   Ainda tem aquele ranço das casas baianas. Perguntei a Matos se poderia arranjar-me uma tarjeta e ele disse que estava em falta no momento. 

   Faz parte da baianidade mesmo numa casa com mais de um ano funcionando no Boulevard e outro ano que já tinha de experiência na Djalma Dutra.

   Vale conhecer.
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Ristorante La Cucina
Rua Boulevard América, 755
Nazaré, Salvador
(Descendo a Ladeira do Jardim Baiano em direção ao Dique do Tororó)
Fones 71. 3013.8717 / 99606.4571 / 98531.1062
Camarões com molho de espinafre R$38,00
Eisenbahn pilsen long neck R$6,00
Torta de maçã R$12,00
Aceita todos os cartões
Funciona todos os dias para almoço
Às quintas, sextas e sábados abre tb para jantar
Estacionamento na rua
Não tem manobrista
Tem segurança na porta e para olhar os veiculos
Cobra 10%. Gorjeta para segurança é a critério do cliente.
Classificação 3 DONS