quarta-feira, 01 de abril de 2020
Colunistas / A Boa Mesa
Dom Franquito

DOM FRANQUITO vai ao PONTO DO ZEQUINHA, em Feira, e conversa com alma

Carne de sol com pirão de leite e salada, básica, boa, rosada, deliciosa
07/04/2016 às 19:57
  É sempre um imenso prazer ir ao Ponto do Zequinha, em Feira de Santana, a eterna princesinha do Sertão. Tradição a casa da Getúlio Vargas com a Juracy Magalhães tem com mais de 30 anos nesse boulevard onde passa a Feira com seus personagens, quer o homem do povo e a morena faceira com seu rebolado provocativo, os politicos, os artistas, os empresários, os profissionais liberais, o 'cavalheiro' Antonio José Larangeira, o cantador Asa Filho, o rebelde Jânio Rêgo, o empresário Toti Le Bisqui e assim por diante.

   Clientes antigos e bons garfos, Zequinha cita Tito Maranhão, Toti, Dario Mascarenhas, Alberto Trindade. - É tanta gente que se fosse relacionar todos daria um livro.

   José Roberto Coutinho, o Zequinha, diz que o "Ponto do Zequinha" nasceu por se situar no bairro Ponto Central, dois passos antes do Capuchinhos e quatro anteriores ao Santa Mônica, mas, hoje, o "Ponto Central - no seu dizer - virou centro". O que não deixa de ser bom porque o movimento comercial aumentou.

   E a crise, pergunto se já lhe atingiu: - Ainda não de todo. Só estou acendendo a barbacoa a partir das quintas-feiras às noites, mas pra você chegando de surpesa numa quarta que mais tá parecendo de semana santa, faço qualquer prato.

   - Um carê foi-me prometido desde que lancei meu livro "Dom Franquito - 105 restaurantes ao redor do mundo" aqui em dezembro de 2013 e agora estou pronto para saboreá-lo, comentei.

   - Carê teria que ser na churrasqueira e está desligada. Você vai comer é uma carne de sol com dois pelos feita por mim - questionando porque não lhe avisei que apareceria na quarta.

   - Convidei um amigo nosso, mas, a essa altura - já passando das 13h30min - parece que ele não vem - disse.

   - Quem é o amigo, posso saber. Vou lhe falar em segredo mas não espalhe porque ele deve estar a caminho - comentei.

   - Vixe...vamos ligar para ele - falou Zequinha se deslocando até o interior do restaurante para pegar seu celular. 

   E aí tocamos a ligar do meu iphone e do de Zequinha e só dava caixa.

   - O doutor é importante e deve estar em alguma reunião ou dando aula, mas, ele vem. Gosta de chegar nos eventos atrasado, sempre - sorriu.

   A essa altura, o balde de Buds já tinha sido parcialmente esvaziado, conversarmos sobre o mundo de hoje, a politica, as novidades da Feira quando chegam, ao invés do doutor, a filha e a neta Luna de Zequinha para a banca de estudos no restaurante.

   - Que maravilha, falei pra ele, depois de conhcer as duas, em especial Luna que tem o mesmo nome de minha neta Lua, uma com ortografia em italiano e a outra em português.

   - A escola dela é aqui perto. Os meninos tem que estudar como a gente, antigamente, e largar essa manina de ficar só no smartphone, arguiu.

   - Faz parte, disse-lhe, com tendência a piorar. Daqui a pouco as crianças não vão mais saber pular o jogo da amarelinha.

   Nisso Zequinha foi providenciar a carne de sol arguindo que já ia dar 2 horas da tarde e até agora o doutor não tinha chegado.

   - Vou preparar uma só pra você com pirão de leite e salada. Se ele vier faço um complmento.

   E lá se foi Zequinha para a cozinha. 

   No retorno me encontra conversando com uma pessoa, mas, não vê quem é e fica abismado.

   - Dom Franquito pirou! Tá conversando sozinho véi... sorriu Zequinha.

   - Não! Tô bem da cabeça. Estava conversando com a alma de bruxinho, no maior papo sobre a política de Feira.

   - Mas não estou vendo ninguém ao seu lado - questionou Zequinha.

   - Você não vê, mas eu vejo. Só nós videntes conseguimos ter a capacidade. E sabe o que ele me disse?

   - Diga lá.

   - Que Feira já tem oito candidatos a prefeito, mas ninguém vai derrubar o Ronaldo.

   - Também acho, o homem tá forte.

   - E o pastor que foi cantor do Olodum, perguntei.

   - Pastor Lázaro! Virou assessor de Neto e quer mesmo é cantar. Vou pegar sua carne do sol porque já são duas e meia e a reunião do doutor está demorando demais. É melhor v comer.

   Pois assim foi feito, com gente andando pelo boulevard e à minha frente uma carne de sol rosada, tostadinha, com gordura e tudo o que se tem direito em salada e pirão de leite.

   Só levantei o olhar com mais atenção quando passou um monumento em homenagem a Feira usando uma minisaia amarela com aqueles traços da calcinha à mostra.

   - Que pecado. Posso ter um infarto.

   - Pecado capital - rezou Zequinha.

   - Volto em breve para saborear o carê, avisei despedindo-me.

   - Pelo amor de Deus não passe mais dois anos pra vir aqui.
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Bar e Restaurante Ponto do Zequinha
Av Getúlio Vargas, 1425
Ponto Central, Feira de Santana
75. 3622-6684 99194-3738
Estacionamento na Juracy Magalhães
Não tem ar condicionado
Arejadissimo
Carne do sol R$30,00 
Carne do Sol para 3 pessoas R$55,00
Bud R$7.50
Aceita cartões
Movimento maior no happy-hour
Classificação 3 DONS