quarta-feira, 19 de fevereiro de 2020
Colunistas / A Boa Mesa
Dom Franquito

DOM FRANQUITO se encanta com a costela bêbada do PORÓ, no Carmo

Um restaurante típico do centro histórico de Salvador da Bahia
11/03/2016 às 21:31
 "As viagens da perna cabeluda" - lenda urbana do Recide, PE - graças a arte de Fabrício Branco estão expostas nas paredes do Bar e Restaurante Poró, um charmoso espaço que fica localizado na Rua do Carmo, 13. 

   E por que comecei minha crônica que dá dicas sobre restaurantes, a história de alguns deles e sugestões de comidas falando de uma lenda? 

  Porque o Poró além de ser um bar e restaurante é também uma galeria de arte e local de eventos. Lembram do 'santo inferninho' que acontecia na Borracharia do Rio Vermelho, pois, agora vai acontecer no Poró. 

   E vocês já ouviram falar na lenda da perna cabeluda? Não!

   É uma lenda urbana que surgiu em Recife, na década de 1970, difundida pelo radialista João (Jota) Ferreira, o qual narrou o causo de um vigilante que foi atacado por uma visagem, uma perna cabeluda. Com programa de grande audiência, a lenda se espalhou pela cidade, o escritor Raimundo Carrero levou-a para a literatura e Chico Science para a música. Em seus shows da Nação Zumbi, Chico dançava com uma perna cabeluda.

   Como toda lenda, tem várias versões e uma infinidade de causos, assombrações, vexames e assim por diante. E como o povo adora superstições, histórias envolvendo cornos mansos, adultérios e chifres alheios, em Recife o que não faltam são esses arranjos envolvendo a perna cabeluda.

   O artista visual Fabrício Branco tem sua ótica sobre a perna cabeluda e você pode apreciar na Expo do Poró. Depois dessa vem uma expo de fotografias, conta-me Clarice, a garconete que me atendeu.

   Claro, agora vamos falar de comida e do Poró que é uma casa recente e que tem cara que veio para ficar. Tudo é muito arrumado, singelo, típico do Carmo, móveis rústicos, uma velha máquina de escrever, flores, parede revestida com telha, uma beleza de local.

   E as meninas que atendem os dois pequenos salões - Clarice e Débora - são delicadas, atenciosas e deixam os clientes à vontade.

   Mas também sugerem o melhor ou um dos melhores pratos da casa, como recomendou-me Clarice, a costela bêbada. 

   - De cara, pelo nome, já gostei, disse-lhe.

  - São costelinhas suinas assadas na caipirinha com purê de batata doce e farofa de couve, deliciosas - garantiu.

   Como estou de dieta etílica igual as águas de março que lavam as praias solicitei um suco.

   - Que tal um de limão, gengibre e mel? - perguntou Clarice.

   - Maravilha. É este mesmo que desejo porque sinto que a chikunguya ronda-me.

   - Com esse suco não há nada que lhe importune - coferiu.

   Então enquanto o principal chegava à mesa fui visitar o Poró, os salões, a fonte, a arquitetura do prédio. 

   Fica num sobrado que parece mulher falsa magra. Acanhado a primeira vista, mas, quando se entra no local vê-se que há dois ou três ambientes e um sótão, onde acontece os eventos de embalos.

   O Poró, meus (minhas) leitores (ras) tem a cara da Rua do Carmo. Sintetiza esse ambiente do centro histórico de Salvador.

   E quando chegou a mesa a costela bêbada, creio que conduzida por Débora, senti o tratamento da cozinha, a harmonia do prato, a leveza da costelinha na boca, o tempero, tudo perfeito.

   - Tá gostoso ? - a certa altura perguntou-me Clarice. 

   - Sem queixas. Maravilhoso. Como desejava que fosse.

   Pronto. Taí uma dica para quem vai ao Carmo: conhecer o Poró.
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Restaurante, Bar e Galeria Poró
Rua Carmo, 13
Fone (71) 99618-1704
Carmo, Centro Histórico de Salvador
Costela Bêbada R$33,00
Jarra de suco R$10,00
Aceita cartões
Estacionamento na rua
Não tem manobrista
Não tem ar condicionado
Serve drinks mojito, marguerita e negroni
Prato muito pedido é o filé alto R$46,00
Outra dica Cuscuz de Oxum R$38,00
De entrada tem pastéis, roupa velha e pão rústico.
Vinho básico
Classificação 3 DONS