sexta-feira, 18 de setembro de 2020
Colunistas / A Boa Mesa
Dom Franquito

DOM FRANQUITO volta ao Mar Aberto para moqueca olho de boi com camarão

Restaurante funciona desde 1984 e tem uma comida deliciosa, especialmente as moquecas de camarão
29/01/2016 às 10:30
A cada ano que volto ao Mar Aberto - tradicional restaurante de Arembepe - é a mesma satisfação e prazer em saber que a comida da dupla João Sá e Thierry continua de boa qualidade, mais refinada e deliciosa. 

   Isso nem sempre é a prática nos restaurantes baianos, alguns que começam até bem e depois deixam que seus serviços deteriorem; outros que surgem num ano e noutro já desapareceram após a temporada do verão, o que felizmente não acontece no Mar Aberto.

   O restaurante do Largo de São Francisco, a pracinha gourmet de Arembepe, como o próprio nome enseja tem o salão comedor protegido por janelas envidraçadas que dá à vista para o mar, e o varandão que tem uma porção de mesas e uma vista quase tocando no mar.

   E o mar de Arembepe não é qualquer mar. Oceano bravio, aberto, imenso a perder de vista que vai afunilando para chegar a Baía de Todos os Santos e a Salvador, nesta localidade tem uma proteção de arrecifes e adiante uma pequena enseada que, com a maré baixa forma uma piscina natural entre as pedras e a areia, local ideal para os banhistas.

   E quando a maré sobe batendo as ondas nas pedras o mar borbulha como a música de Fagner, encantador, bravio, tentando ser domado. 

   "Quem dera ser um peixe/ para em teu límpido aquário mergular/ fazer borbulhas de amor pra te encantar/ passar a noite em claro/ dentro de ti, de Juan Luis Guerra na voz do Ceará Fagner.

    É essa visão que se tem da varanda do Mar Aberto, tocando no mar, cheirando o mar, ouvindo o ronco do mar, fazer borbulhas de amor para encantar qualquer donzela.

   E foi nesse espaço que João, grapiúna da terra de Jorge Amado, ator de teatro e executivo de uma grande empresa, saturado do paletó e da gravata, se uniu a Thierry: belga, nascido em Bruxelas, músico e viajante do mundo, vindo de Coté D’Azur, sul da França, onde trabalhava em restaurantes no verão, naquelas andanças da rebeldia dos anos 1970/1980, quando Arembepe ainda sediava uma aldeia de hippies que fundaram o Mar Aberto, em 1984.

    Lá se vão 32 anos no batente e a casinha modesta dos anos 1980, a década perdida no Brasil, com piso batido e cozinha modesta, hoje, cresceu, ampliou, se fortaleceu, mas segue com a mesma filosofia inicial, dos pés no chão, da simplicidade, da elegência, com uma decoração bem baiana - com pinturas do mar e baianas estilizadas, além de gaivotas de madeira que abanam as asas com o vento, atendendo aos seus clientes com a mesma alegria e prazer dos tempos hiposos.

   Arembepe também é outra embora guarde esse glamour dos antigos festivais hippies, das tribos que habitavam a aldeia, e alguns deles ainda andam por lá e pela vida, até dormindo embaixo de uma estrutura de madeira instalada pela Prefeitura na São Francisco.

   O Mar Aberto é encantador. Quem nos atendeu, yo e la señora Bião em familia, foi o garçom Anderson, um jovem que também é folião do Malê DeBalê de Itapuã, mui atencioso.

   Com esse tempo quente nada melhor do que long-necks geladíssimas num balde repleto delas, de enseiban e bohêmia.

   E solicitamos a tradicional pedida que é indispensável no Mar Aberto: o camarão de moqueca e um olho de boi com camarão de moqueca. É pra rezar de joelhos com milho no chão pagando todos os pecados.

   Anderson sorria servindo as geladas. De entrada ficamos apreciando o mar e mi nieta, contrariando todos os sentimentos, solicitou nugetes com batatas fritas e arroz. 

   Que pecado! - comentei dizendo que precisava experimentar os camarões e o olho de boi. E ela, nem tchum. Preferiu exercitar suas habilidades artísticas fotografando as ondas do mar.

   - Agora fisguei uma delas nas alturas. Clic. Outra. E esta está ótima. Veja aqui - mostrava-me no visor do celular.

   Nosotros estávamos interessados mesmo era nas moquecas e quando elas chegaram à mesa, agradecemos aos céus e nos deliciamos.

   Alguém dava uma palavra? Nada. Só ouvíamos o ronco do mar e o tilintar dos talheres. A casa faz juz a fama e aos prêmios que leva como um dos melhores restaurantes do Litoral Norte.

   Yo recomendo, sempre, El Mar Abierto.

   Depois, passamos na tenda da baiana que fica em frente a igreja de São Francisco para meia dúzia de cocadas e saimos a andar pelas lojinhas da praça deliciando-as.

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Restaurante Mar Aberto
Largo de São Francisco, Pç das Amendoeiras, 43
Arembepe, Camaçari, Bahia
Fone 55 71 3624-1257 3624-1625
facebook marabertorestaurantearembepe
De segunda a quinta 11h30min às 21h
Sextas e sábados 11h30min às 23h 
Domingo 12h às 18h
Camarão de Moqueca R$93,00
Olho de boi/com camarão R$103,00
Pratos servem cada um deles, duas pessoas
Nugettes R$21,50
Cervejas R$9,00 a unidade
Cobra 10% e aceita cartões
Não tem manobrista - estacionamento nos arredores da praça
Ambiente arejado 
Classificação 3 DONS