ter?a-feira, 25 de fevereiro de 2020
Colunistas / A Boa Mesa
Dom Franquito

D. FRANQUITO pisa na história e saboreia gnocchi al gambary no PEREIRA

Comida contemporânea de ótima qualidade e ambiente climatizado e de excelente padrão
03/07/2015 às 14:54
 ​A história de Salvador começou no Porto da Barra. Foi nesse sitio que Diogo Álvares, o Caramuru, primeiro europeu especialista em comércio exterior a serviço da França instalou seus negócios com os tupinambás a partir de 1509. Depois, em 1536, o donatário Francisco Pereira Coutinho, apelidado o "Rusticão" - o camarada era bruto, militar autoritário - instalou a Capitania Hereditária da Bahia nesse local e fundou a Vila Velha do Pereira. 

   Pereira criou tanta confusão com os tupinambás e obstáculos aos negócios de Caramuru com os franceses que foi cercado pelos nativos e se refugiou na capitania de Porto Seguro, onde foi pedir socorro em armas a Pero de Campos Tourinho. Este disse que já tinha problemas demais com os seus e mandou-o de volta à sua capitania. 

   No retorno, sua embarcação se chocou com arrecifes nas proximidades da ilha de Itaparica, naufragou, deu na praia ofegante e os tupinambás o mataram e o cozinharam num panelão de barro. A Capitania passou por herança a seu filho até que o rei de Portugual decidiu instalar o governo geral.

   Em 1549, depois do fracasso que se constituiu o sistema de capitanias hereditárias, o reino eviou a Bahia a armada de Thomé de Souza para colonizar o Brasil de vez e este chegou com sua nau |Nossa Senhora da Conceição no Porto da Barra, a 29 de março. Só desceu da embarcação dia 31, temendo um ataque dos tupinambás.

   Os historiadores baianos não dão muita importância a Caramuru, o qual se encontra sepultado na Catedral da Sé, nem a Pereira Coutinho e sua Vila Velha. Pereira após ser devorado pelos tupinambás no naufrágio em Itaparica foi praticamente riscado do mapa da história, tanto que se comemora a fundação da cidade com data em 29 de março e não se faz referência a vila de 1536.

   Felizmente, um grupo de empresários baianos, a partir de 2004, instalou no Porto da Barra o Restaurante Pereira, numa homenagem a Francisco Pereira Coutinho, uma casa de boa comida contemporânea, sita num casarão - que não é o original do "Rusticão" - mas simboliza isso.

   Então, quem vai ao Pereira, pisa o chão da história e aprecia a boa mesa com uma variedade de pratos e uma apreciável carta de vinhos. A noite estava chuvosa quando yo e la señora Bião fomos com apetite da época dos tupinambás. Pena que el plato que desejava, el arroz de bacalhau com açafrão da terra acebolado estava em falta justo no meu dia. 

   Paciência, disse-nos o garçom Uilton, sugerindo que o salmão com ragu estava excelente e o gnocchi al gambary ainda mejor. E foi o que pedimos para nuestra satisfação.

   Imaginei que se fizesse alguma contestação na falta do bacalhau pudesse ser colocado numa frigideira quente do Pereira. Sou bobo nada. Solicitei um uisque para cpmpartilhar com la señora Bião, a qual estava mui graciosa e admirada com o ambiente agradável do local.

   - Já imaginou se o Rusticão tivesse a seu prazer um restaurante deste quilate em 1536? - brinquei.

   - Nem em Lisboa, a capital do reino, isso era possível naquela época - respondeu-me a señora dando-me uma lição de história.

   - É, naquele tempo, o prato predileto dos portugueses na Bahia era peixe frito na brasa com sal e pimenta - comentei.

   - E estava de bom gosto. Se quizesse algo mais que fossem caçar nos matos em torno do Rio dos Seixos - advertiu.

   Nesse papo histórico, o garçom Uliton apresentou el salmão com ragu cítricos de cogumelos grelhado e ao ponto servido ao vinho branco e salada de medley de tomate, cereja e manjericão, para la señora Bião; e para mi el gnocchi al gambary tradicional foude de três queijos, camarões salteados na manteiga de sálvia e sal de limão, mui hermoso.

   A mesa ficou encantadora, composta com harmonia.

   Uilton nos perguntou que tal.

   Dissemos que estavam deliciosos e ficamos muito satisfeitos com o atendimento e a presteza.

   O Pereira tem 11 anos na Barra e se você ainda não conhece este bom restaurante da Bahia dá um pulinho por lá.
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Pereira Restaurante
Av Sete de Setembro, 3595 
Porto da Barra - ao lado do Mar Azul Hotel  
Fone - 3353.2078
Aconselha-se fazer reserva nos finais de semana
Salmão com Ragu - R$62,00
Gnocchi al gambary - R$44,00
Estacionamento - R$20,00
Tem manobrista
Ambiente climatizado
Varanda decorada com vista para o mar - verão ou tempo firme
Serve feijoada aos sábados
Decoração com motivos da Bahia e sua história
Classificação 4 DONS