sexta-feira, 21 de fevereiro de 2020
Colunistas / A Boa Mesa
Dom Franquito

DOM FRANQUITO vai ao MISTURA na festa de Babete do Marquês E. Simões

O Mistura é um dos melhores restaurantes de Salvador na especialidade gastronomia mediterânea
19/06/2015 às 00:03
Acostumados a saborear pratos da culinária indo-euro-afro baiana - moquecas, javaporcos, maniçobas e outros pratos 'heavys' - a turma da Confrarira do Marquês da Placa Ford foi surpreendida com o que, o 'conselheiro' Milton Cedraz classificou de 'A Festa de Babete', no Mistura, niver dos 67 years do marquês dom Eujácio Simões, com cardápio preparado a 'fio de ouro' pela 'chef' Andrea Ribeiro, esposa de Paolo Alfonsin, dono de um dos melhores - senão o melhor - restaurante de Salvador, no charmoso bairro de Itapuã.
   Só lembrando um trechinho do que foi o enredo do filme 'A festa de Babete', em 1871, noite de tempestade, Babette chega a um vilarejo na Noruega, fugindo da França durante a repressão à Comuna de Paris. Ela se emprega como faxineira e cozinheira na casa de duas solteironas, filhas de um rigoroso pastor. Ali vive por doze anos, até que um dia fica sabendo que havia ganhado uma fortuna na loteria e, ao invés de voltar à França, pede permissão para preparar um jantar em comemoração aos centésimo aniversário do pastor. 

   A princípio, os convidados ficam assustados, temendo ferir alguma lei divina ao aceitar um jantar francês, mas acabam comparecendo e se deliciam com a festa de Babette. Nunca na vida tinham experimentado comida tão deliciosa e especial.

   Foi o que fez o marquês con nosotros, desprevenidos que estávamos para tal honraria, em noite de degustação numa segunda sem tempestade que se iniciou por las oito de la noche e só teve fim quando os ponteiros marcaram as primeiras horas da terça.

   Foram 240 minutos do melhor da 'chef' Andrea, de muitas conversas, ótimos papos, excelente proseco para refrescar o palato, tudo bancado por nossa 'Babete', el dom Marques da Placa Ford.

   Melhor do que isso, como diria o comensal Gildásio Xavier, só no paraíso. Ele que depois de saborear várias e deliciosas entradas deparou-se com um 'cordeiro de Deus' à sua frente. 

   Para inicio de conversa, a cozinha do Mistura comandada por Andrea nos ofereceu na inicial degustação camarões e siris empanados crocantes. Después, ovo em meringa salgada ao tartufo com creme de aspargos. 

   Câmaras dos celulares em ação, clics e perguntas. - Quem sabe explicar o que é isso? - alguém questionou.

   Paolo explicou que se trata de um prato típico da Itália também conhecido como spumiglia "una preparazione dolce a base di albume (clara de ovo) e zucchero (açucar) a velo (manto)".
 
   O chapadista disse que nunca tinha ouvido falar nele acostumado a saborear ovos fritos na manteiga.

   Milton Cedraz acrescentou: - Estamos diante de um festival mediterrâneo digno da costa italina.

   Adelante, chega à mesa un plato de camarão vermelho ao salto, maçã ao curri, maionese de banana e gotas líquidas de coco. De terceira entrada, camarões a crosta de provolone. De quarta, una tortiera de bacalhau com batatas.

   A essa altura, algumas rolhas de proseco já haviam espoucadas. O marquês se deliciava ao lado de sua madre, dona Iraci Simões, 87 anos.

   La noche ainda estava começando e surge à mesa a quinta entrada uma salada de lagosta, melancia compressa e emulsão de baunilha. 

   Cada um desses pratos uma obra de arte na confeção, na harmonização e na gostosura.

   Paolo exultava e apreciava a festa de 'Babete' conversando pelos cotovelos e perguntando se estava tudo bem. 

   - Bem! Ótimo, contrapôs Isadora Xavier também clicando as entradas.

   Ah! sim, veio então o principal para fecharmos la noche:  filé de robalo grelhado, mix de funghi, lula recheada e crocante de polenta; camarões com crosta de provolone e risotto a paesana; e paleta de cordeiro com cuscus marroquino e frutas secas.

   De orar aos céus. Cantou-se o parabéns pra você puxado por Paolo e la señora Lica.

   E pensar que tudo isso começou numa barraca de praia da Rua K quando, em 1987, o italiano Paolo encantado pelo mar de Itapuã adquiriu a tenda que se chamava Mistura Fina e passou a ser barraqueiro adicionando aos petiscoas baianos os temperos da Itália.

   Cinco anos depois instalou-se na rua professor Souza Brito, próximo ao Farol de Itapuã, onde se encontra até os dias atuais. Em novembro próximo seguirá para a Av Contorno, na área da antiga Boite Cloc, com investimento que o tornará o melhor restaurante de Salvador.

   Paolo conta que o Mistura Fina passou a ser Mistura diante de nome registrado que havia no Rio de Janeiro de restaurante mais antigo e homônimo. 

   - O camarada queria que pagássemos R$200 mil para manter o nome Mistura Fina e então decidimos não pagar nada e abreviamos para Mistura. 

   Na Avenida Contorno o Mistura será mantido como nome principal e deverá ganhar um complemento. Qual será? Ainda em estudo. 
É muita história nos 'Misturas' se é que podemos chamar assim. Uma vida. Paolo diz que está feliz, pero, cansado de Itapuã.

   Nós, nem um pouco, pois, después do parabéns ainda nos deliciamos com uma crostata de caqui chocolate flambado.

   La nocehe de "Babete" sentenciou Cedraz foi perfeita.
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Restaurante Mistura 
Rua Professor Souza Brito, 41
Itapuã, Salvador, Bahia
Fone 3375-2623
Nos finais de semana convém fazer reserva
Áreas climatizada e ao ar livre do mar de Itapuã 
Tem estacionamento próprio
Classificação 5 DONS
Deixamos de colocar os preços dos pratos porque a festa foi de 'Babete'