quinta-feira, 20 de fevereiro de 2020
Colunistas / A Boa Mesa
Dom Franquito

DOM FRANQUITO vai ao restaurante predileto de Guevara para um escalope

Um dos restaurantes mais tradicionais da Bolivia
15/05/2015 às 00:00
 Em La paz, a capital da Bolivia, há trechos europeus nas calçadas das ruas e exercita-se o andar pela cidade. Situação impraticável em Salvador, nem mais na Avenida Manoel Dias da Silva, na Pituba, salvo se você for acompanhadado (a) por um segurança armado.

   Nas principais avenidas de La Paz, a Mariscal Santa Cruz e a 16 de Julho (El Prado), acredite, anda-se sem sobressaltos, com sacolas de compras em mãos, e alguns trechos dessas vias têm passeios de 5 metros de largura sem ambulantes à vista. Noutros, existem camelôs ordenados em espaços pré-marcados, em tendinhas de alumínio.

   Que bom que Salvador fosse assim. Que se pudesse andar pela Avenida Sete, a Marciscal dos baianos, ou pelo Campo Grande (El Prado baianês). 

   Mas, isso acá é impossível. As calçadas são estreitas e estão repletas de ambulantes e batedores de carteiras e bolsas das senhoras. Paciência. Vivemos na capital mais atrasada e incivilizada do país.

   Pois, dito assim, andando com la señora Bião de Jesus pela Marciscal y El Prado até a Universidade Mayor de Santo Andrés e arredores de la Plaza de los Estudiantes resolvi cortar mi pelo e hacer la barba num salão muy confortable sendo atendido pelo cabeleireiro Vico, um bem humorado boliviano contador de histórias. 

   Há testemunhas e a señora Bião fez fotos para que ninguém venha a dizer que falo lorotas.

   Después fomos almoçar num dos mais antigos locais da cidade baixa o Eli's Restaurante fundado há mais de 72 anos pelos imigrantes judios Leo Nothman e Elisabeth Scmidt , la señora Elis donde saiu el
nombre do Eli's Restaurante e Confeitaria na esquina do el Prado con la Calle Bueno. 

   Uma esquina de quadra que é um complexo de entretenimento com restaurante, casa de chá, cinema, lanchonete, pizzaria e confeitaria. Os bolivianos adoram bolos e há inúmeras tendas na cidade de bolos, em lojas, nas ruas e nas feiras livres.

   Localizado no Edifício Cine Teatro Monje Campero, por isso mesmo conhecido como Eli's del Monje Campero, foi adquirido por outro judeu chamado Harry Sojka - falecido em 2014 - que expandiu a marca por toda a Bolivia, hoje, tendo como administrador seu filho Peter Sojka.

   Pelas mesas do Eli's passaram presidentes como Valter Guevara Arce, el ditador Hugo Banzer Suarez, o guerrilheiro Che Guevara, o poeta e ativista Jules Débray, o cantante francês Charles Aznavou e a guerrilheira Haydée Tamera Bunke Bide, a Tânia, além de senadores, deputados, desembargadores, jornalistas e intelectuais bolivianos.

   É um lugar com muita história da cidade e do país e há dezenas de quadros em suas paredes com fotos de alguns desses personagens e de artistas de cinema.

   Fomos atendidos pelo garcom Rafael, um senhor muy agradabele, 32 anos no Eli's, conhecedor de todos os clientes e segredos da Casa, desde 2014 Patrimônio Cultural Inmaterial lei assinada pelo alcalde Luis Revilla Herrero.

   Foi Rafael que nos orientou a saborear um típico prato servido no Eli's, o Escalope Mario Martinez - composto por dos finos filetes de res apanados a la plancha rellenos de jamón e queso com salsa de tomate.

   Segundo el nobre Rafel "és un plato poderoso, una receita original de nuestro chef hace 50 anos acompanado de verduras cozidas".

   Quem seríamos nós para contrariarmos tal sugestão! Pelo contrário, a acolhemos com prazer e solicitados de imediato duas pacenãs oro, a melhor cerveja da Bolivia.
Além da boa comida tem-se um prazer enomre em estar no Eli's, por sua história e por vermos - ao vivo - personalidades e figuras anônimas da Bolivia que frequenta a casa há 40/50 anos chegando para uma refeição ou mesmo para saborear uma torta com chocolate com chá.

   Maravilha de lugar. Yo recomendo.

----------------------------------------------- 
Eli's Restaurante e Confeitaria
Av 16 de Julho, El Prado
Edificio Cine Monje Campero
Ambiente climatizado
Escalope Mario Martinez 69 bolivianos (R$35,00)
Paceña oro 18 bolvianos (R$9,00)
Aceita Visa Internacional
Vale pela história 
Classificação 3 DONS