segunda-feira, 30 de mar?o de 2020
Colunistas / A Boa Mesa
Dom Franquito

EN la Casa de Piedra La Paz, DOM FRANQUITO degusta trucha na manteiga

O local parece um mosteirinho benedito com um silêncio que lembra os salões do céu
17/04/2015 às 15:05
 O centro histórico de La Paz é cortado ao meio pela Avenida Mariscal Santa Cruz. 

   À direta, em direção a zona comercial e centro financeiro ficam a Basílica e Convento de São Francisco, a Av Sagárnaga com suas lojas de artesanato, teatros de bolso, hotéis boutiques, etc; à esquerda, a Praça das Armas (Pça Murillo) onde se situa a catedral, o Palácio Quemado - sede do governo, o Parlamento, e outras calles onde estão o comércio, bancos, restaurantes, teatros e museus.

   Há uma rua - calle Apolinare Jean - que é peatonal (não passa carro) onde só há museus, lojinhas de souvernir, centros culturais, escolas e o Teatro Charango. Típica rua com caracteristica da arquitetura espanhola do século XVII com sobrados e seus balcões floridos.

    No centro histórico, as ruas são estreitas e enladeiradas. Via de regra dão na praça monumental que é a Murillo (homenagem a Pedro Domingo Murillo, patriota boliviano precursor da independência no país 1759-1810), herói nacional.

   Foi andando por essas ladeiras - e esse tem que ser um exercício paciente diante da altitude da cidade e do mal da montanha- até alcançar a calle Jenaro Sanjinez e nos deparamos - yo e la señora Bião de Jesus - com o Hotel Boutique Casa de Pieda, onde fica o restaurante Casa de Piedra, e serve uma trucha (salmão) na manteiga de tirar o fôlego em gostosura.

   Arriscaria a dizer que alguns dos bons restaurantes - padrões medianos ao bolso - em La Paz se situam nos Hotéis Boutiques. Não só em La Paz, pero, también, em Santa Cruz de La Sierra e Sucre.

   O Casa de Piedra é um primor em aconchego. Parece um mosterinho beneditino à semelhança do mosterinho da Igreja de Nossa Senhora da Graça, em Salvador. 

   Um silêncio celestial - se é que no cielo tem esse silência que se fala. Uma paz de monjes. Por graça e obra de São Pedro, quando estávamos no local, desabou uma daquelas chuvas torrenciais de meia hora que assusta e fez com que, o ambiente ficasse ainda mais romântico.

   Se tivesse a inspiração do poeta Antonio Lins teria feito uma quadra para la señora Bião, de imediato. Pero, não tenho esse dom. Ainda assim, fiz meus verso interior e soltei meus galanteios a belissima consorte.

    A delicada e atenciosa garçonete que nos atendeu chama-se Leide. De tão recatada parecia pisar em nuvens. 

    Solicitamos para amainar o cansaço das subidas e descidas das ladeiras unas pacenãs oro, a deliciosa cerveja long-nek boliviana. Ufa! que alivio.

     Después ficamos a contemplar o interior do Casa de Piedra com suas colunas, decoração discretissima, uma fonte d'água, um ambiente andino com aquelas músicas das quenas - flautas - e os anjos rondando nossas cabeças.
    
    Optamos, assim que nos instalamos com mais vagar, nesse momento de graça, por um blanco Campos de Solana clássico, el vino local de Tajira, pois, a nuestra pedida de principal foi uma trucha a la mantequilla asada en mantequilla vegetal, acompanhada com arroz, choclo, papas fritas y verduras cocidas; e un brochete de trucha - trozos de trucha fritos, morrón, cebolla, zuqini, arroz, papas fritas e verduras cozidas.

    A chuva não dava trégua e os pingos d'água batiam na cúpula da Casa de Piedra dando um tom especial. 

   O vino, claro, descia suave com um 'pica-pica' (entrada) que la señorita Leide nos trouxe, com uns pãezinhos e pimenta. 

   O boliviano adota pimenta. A comida é sempre bem apimenta. Caso você escolha um prato típico local, mesmo o tradicional filé de alpaca, peça para não caprichar no molho apimentado.

 Felizmente, a trucha estava no ponto e o brochete saboreado por lá señora Bião com uma formatação especial.

   La Casa de Piedra é desses locais que se deve ir sem medo de ser feliz. Comida excelente, preço bom e a paz del cielo.

--------------------------------------------------------------- 
Casa de Piedra Restaurante
Rua Jenaro Sanjinez, 451
Centro Histórico de La Paz
Fone 591 2 2906674
Vino Campo de Solana Clássico 90 bolivianos (R$45,00)
Trucha a la Mantequilla 69 bolivianos (R$34,50)
Brochete de Trucha 69 bolivianos (R$34,50)
Paceña oro (cerveja long neck) 20 bolivianos (R$10,00)
Aceita cartões inernacionais
Ambiente intimista
Classificação 3 DONS