sexta-feira, 18 de setembro de 2020
Colunistas / A Boa Mesa
Dom Franquito

DOM FRANQUITO comeu a moqueca de robalo para Pedro Álvares Cabral

Moqueca de Robalo pra ninguém botar defeito com pirão do caldo da moqueca, farofa, arroz branco, salada e pimenta vermelha
06/02/2015 às 11:54
A gente vive em apartamento, cercado de concreto por todos os lados, enfrentando diariamente buzinaços e engarrafamentos no trânsito, filas, noticiários repletos de roubalheiras que parecem não ter fim, corre-corre pra tudo, que não se dá conta da existência de alguns paraísos tropicais bem próximos de casa, a distância de uma hora de relógio como se diz no popular.

   Então, dia desses, antes das homenagens a Janaina, a Yemoja, Iara, Maria, Odoyá ou qualquer outro nome que a inquice tenha fomos yo e la señora Bião e más su madre, mi nieta e su hermana para Imbassaí, Litoral Norte do Atlântico, el antigo 'Mar Tenebroso' dos navegadores espanhóis e portugueses, justo um paraíso onde há o encontro das águas do rio com o mar daí que, tanto pudessemos apreciar a rainha das águas doces como das águas salgadas, cujos mistérios são idênticos.

   Neste paraíso de jandaias, bentivis, peixinhos à vista na flor d'água, vitórias régias, cipós, jangadas, boias, bolas, meninos, picolés, quibes e outras coisitas más a gente até se esquece que existe concreto, chuveiro elétrico e buzinas, põe os pés no chão e sai mar à fora ou rio à dentro como um tupinambá.

   Por pouco não passei por um cacique Abaeté, um guerreiro Arembepe ou um arqueiro Itacimirim. Lá um sacaneta de um menino falou pro pai que ele estava diante de Lula tomando banho de rio. 

   - Que Lula, meu filho! Sou Dom Franquito - alertei. 

   O pai do guri, ainda assim, disse que yo tinha uns traços de Lula e mi cunhada caiu na risada.

   O Paraíso tem dessas coisas. De repente você pode virar Jesus Cristo ou Barrabás! Adão ou Sansão! Adonis ou Mané! a depender dos olhares das pessoas. 

   Yo mesmo vi una Iara estrangeira que deve ter migrado da Escandinávia a nado e fazia suas incurssões pelo rio Imbassaí como se fosse uma sereia.

   Dia belíssimo. Mi nieta desafiou-me: - Mi abuelo, vamos navegar de caiaque. 

   - E usted sabes remar? - questionei a pequena. 

   - Sei sim. É só fazer assim e assado com os braços - fez os gestos com o corpo.

   E lá fomos nós remar rio acima em direção ao mar. Ela deu duas 'enforcadas' no remo, mas, ainda assim, se gabou: - Não lhe disse que sabia remar e bem - sorriu.

    Lá pras tantas, subimos a rampa do 'planalto' nos afueras del rio e à beira mar e atingimos o platô das barracas da praia de Imbassaí onde ficam os restaurantes. 

   Escolhi, por simpatia, a Barraca do Baixinho com decoração verde a amarelo em louvores, salvo engano, ainda a Copa do Mundo de Futebol. 

   Baixinho só não estendeu um tapete vermelho pra nos receber porque em área de praia isso não existe. Fomos, no entanto, bem acolhidos.

   Baixinho é o apelido de Lourival Conceição Evangelista, baiano do Litoral Norte, anos de luta à beira mar, algumas ex-mulheres, agora com dona Alice, 5 filhos, bom de prosa, bom de pique. Parece até um antigo ponta direita do Bahia, Biriba, embora seja mestiço mais claro.

   Mi Nieta ficou 'cubando' o Baixinho como se dissesse assim: - Que camarada pra conversar. Mas, já estava era de olho no cardápio. 

   Todos na mesa, uma rodada de geladas Itaipava caiu bien. Do platô da barrada do Baixinho tem-se uma visão do mar à frente, ao largo, a rota da chegada das naus portuguesas a Bahia que eram vistas de Tatuapara.

    Pra iniciar, de tira-gosto, pititingas com salada, farofa, pimenta e fritas.

   Na dúvida sobre o que degustar de principal, Baixinho trouxe até à mesa sua filha Eliane, una jovencita muy simpática e chefe da cozinha, para nos aconselhar. E se dúvida havia na pedida da moqueca de robalo para 4 pessoas ela disse que era o melhor sabor da casa e que produziria um de dar água na boca.

   - Se ela falou que faz bem feito eu garanto e assino embaixo - afiançou Baixinho destacando que quando vai com a familia a um lugar e pede um tira-gosto, se este for bom, o prato principal também é.
Baixinho fazia propaganda antecipada da pititinga, que, por sinal, tava crocante, deliciosa.

   A tarde seguia seu rumo. Nenhuma nau portuguesa à vista mar à fora. De vez em quando passava era uma avião rumo a AJU. 

   Baixinho seguia na prosa dizendo que era amigo de Alexandre Pedrosa, da Pousada Imbassaí, que já tinha pego muitas caronas na sua 'banheira' (antiga caminhonete) e já quebrou pedra, já quebrara coco, já vendeu cocada, e agora tinha seu restaurante. 

   Tantas histórias que Baixinho já enfretara até um lobisomem num dos baixios de Imbassai, numa noite de aventura amorosa após sair da casa de uma amada, e quando se deparou com o medonho, quase cara-a-cara, noite sem lua, aquela escuridão, folhas dos coqueiros tremulando, e só não fez bobagens nas calças porque quando viu que as orelhas do lobi eram grandes demais deu conta que tinha se deparado com um jegue ruço de tampa.

   Demos boas risadas com Baixinho até o momento em que foram servidos para nosotros a moqueca de robalo e para mi nieta carne de sol em cubos com batatas fritas.
Diria a vocês que se Pedro Alvares Cabral quando achou o Brasil tivesse passado em Imbassaí e sentisse o cheiro da moqueca poreparada por Eliane tinha mandado ancorar por aí. E descoberto el Brèzil.
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Barraca do Baixinho
Tudo em petiscos e almoços
Praia de Imbassaí - Mata de São João - Bahia
Linha Verde - Depois da Praia do Forte
Fones 71- 9640-4695/ 9358-5849
E-mail: emersonevangelista.2c@gmail.com
Pititinha - R$25,00
Carne de Sol e batatas fritas R$35,00
Moqueca de robaldo para 4 - R$110,00
Cerveja - R$8,00
Aceita Visa e Master
Ambiente à beira mar em platô
Local tem sanitários e área para banho de água doce
Gratificação nos banhos por conta dos clientes
Classificação 2 DONS