sexta-feira, 21 de fevereiro de 2020
Colunistas / A Boa Mesa
Dom Franquito

NA CONFRARIA DO MARQUÊS, dom Franquito come paca e tatu, cotia não

Um encontro de amigos que se repete em alguns restaurantes de Salvador
16/01/2015 às 17:06
A Confraria Informal do Marquês da Placa Ford, dom Eujácio Simões, senhor de muitas terras e javaporcos no Sudoeste do Estado, reuniu-se em encontro lítero-político-gastronômico no Otávio's Bar e Restaurante, Piatã, Salvador, para saborear um tetra coroado de linguiça do Ruy Junqueira, à moda Sul do Maranhão, hecha a mano; carne de novilha de 1 ano direto da fazenda do marquês; um tatu de ensopago e uma paca ao forno.

   Tudo isso acompanhdo de molho lambão, farofa d'água, feijão verde à moda carreteiro, molho de pimenta malagueta e frascos de Peter Luger - steak house old fashioned sauce. E guaraná...kkkkk. 

   Mesa de profissionais, papo de longo alcance mar à dentro, conversa sem uma diretriz definida, cada qual falando o que bem entendia, bom humor nas alturas, el marquês ao centro da távola e à 'gauche' Alberto Oliveira Filho, Luciano Barriga, Luis do Abaeté, Edson Cabral e este escriba; e a 'droit' os irmãos Jefferson Jolival Góes, Nilton Cedraz, em marquês de Vilas do Atlântico - dom Edvaldo Coelho, Ivan Durão e Edinho Camisa de Seda. Em frente, Antonio das Cajazeiras, Geraldo Majela e Ruy Junqueira.
 
    O marquês então convoca Wilson, el garçom, para que abastecesse a távola de vinho Tuniche e Misto, cerveja, uisque e Seleta. Aquela história do guaraná arriba era brincadeira. Mas, Luciano Barriga obtempera: - Quero uma cola cola mestre Wilson pois minha cota de bebida alcoólica já completei faz tempo.

    Não demorou para que uma rodada de linguiça preparada por Ruy Junqueira, o maranhense de Carolina, Sul daquele estado e à margem direita do Rio Tocantins, baixasse à mesa. 

   Óbvio que os gozadores soltaram das suas: - Que linguiça fina é essa! Algém quis fazer blague com duplo sentido. 

   - É fina mas é deliciosa - respondeu Ruy sem se importar com a broma. 

   - É porque o dedo dele é fino - arreliou outro comensal.

    O marquês gritou para Wilson: -Abaixe esse som que ninguém tá podendo conversar e traga mais vinho e mais água. Arrisquei uma foto do cabecilha: - Não pegue minha barriga - advertiu-me.

    De fato, a linguiça de Ruy com o molho sauce trazido pelo marquês direto de NY, segundo seu depoimento, é das melhores. Aos poucos, as rodilhas passando de mão em mão não sobraram nada.

   Para quem quis, uma rodada de Seleta das Gerais foi anunciada. Com a linguicinha e o molho lambão só para os fortes, os Átilas do reinado dos Unos.

   Adelante, para que a confraria ficasse mais animada, o marquês gritou 'Vive la France' em alusão aos ataques terroristas que aconteciam em Paris e pratos de novilha de 1 ano foram postas à mesa. 

    Que loucura. Houve um avanço dos talheres. - Essa é boa mesmo, disse o marquês de Vilas do Atlântico destacando que não merecia o título pois é 'pinoir'. Jolival Góes que estava ao seu lado sorriu do caixa alta.

   Alberto Oliveira, entre uma garfada e outra, comentava que não pode ir a Feira de Santana que os radialistas ficam cobrando para ele assumir a direção do 'Touros do Sertão', o Flu da Feira.

    - Assuma logo, alguém comentou. 

   - Quero nada, rebateu Alberto pedindo que passasse a carne da novilha.

    Ivan Durão, de sua parte, cochichava que seria pra valer o rompimento político do prefeito de Camaçari, Ademar Delgado, com o seu padrinho politico, Luiz Caetano.

    - E eu com isso, comentou um comensal.

    Nesse papo descontraido, humor nas alturas, passa uma carreta de dois eixos engarrafando a Yemanjá, rua onde se situa o restaurante, fundos do Atakarejo. 

    - Isso é um absurdo - comenta o marquês - dizendo que a Prefeitura deveria proibir esse tipo de descarga de alto quilate numa rua de um bairro. Buzinas se ouviram.

    Jefferson Goés optpu por um uisque a moda cowboy. Abram alas que o nobre Cedraz precisa ir ao banheiro, falaram. 

    Quando menos se espera, Otávio chega a mesa com o badalado e comentado tatu. Sêo moço! Parecia um astro de TV. Foram fotos, selfies e flashes em direção ao prato. Até Edson Marinho, que jogava dominó numa mesa ao lado, levantou-se para dar uma olhada.

   - Eu só quero ver quem vai comer o rabo do tatu - apimentou Junqueira. 

    - Comer rabo (de tatu) é comigo mesmo - disse Antonio das Cajazeiras, considerado especialista em saborear tatus.

    Não ficou foi nada do 'nobre' tatu, dos maiores. Delicioso. Quando Jolival Góes disse que a mesa estava fracativa, sem comida, o marquês mandou servir a paca. Aí foi que se deu um alvoroço. 

    - Aos garfos - bradou Edinho Camisa de Seda. - Que garfos, vamos na mãozona mesmo, comentou Junqueira. 
   - Mais vinho, mais molho lambão e feijão carreteiro - gritou o marquês.

    E assim a tarde foi passando, uns foram dando adeus dizendo que iriam ao trabalho, outros foram ficando e rodadas de conhaque foram servidas depois dos posteres tâmaras da fazenda do marquês sita em Bom Jesus da Lapa e ambrosia de leite de gado gir com galinha caipira.

     Olha! Participar dessa confraria só para aqueles fortes que amam à boa nesa.

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Otavio's Bar e Restaurante
Rua Yemanjá, 20
Fone 3368.2983
Jardim Piatã, Salvador
Cota parte da confraria R$100,00 
Restaurante sem ar condicionado, mas arejado
Estacionamento na rua
Classificação 2 DONS