quarta-feira, 01 de dezembro de 2021
Cultura

COINCIDÊNCIA! DEPOIS QUE RUI PROIBIU PAREDÕES, MNU TEM ENCONTRO NA SSP

Segundo Sepromi os temas foram combate ao racismo e defesa de direitos humanos
Tasso Franco , da redação em Salvador | 14/10/2021 às 17:57
Segundo Sepromi os temas foram combate ao racismo e defesa de direitos humanos
Foto: SEPROMI
   Diversas representações de organizações negras da Bahia foram recebidas na sede da Secretaria da Segurança Pública (SSP) nesta quinta-feira (14), em Salvador, discutindo temas nos campos do combate ao racismo e defesa dos direitos humanos. As lideranças estiveram reunidas com titulares SSP, Ricardo Mandarino, da Secretaria de Promoção da Igualdade Racial (Sepromi), Fabya Reis, e de Justiça, Direitos Humanos e Desenvolvimento Social (SJDHDS), Carlos Martins.

Foram discutidas pautas como política sobre drogas, enfrentamento à intolerância religiosa, à LGBTQIA+fobia, prevenção e combate ao racismo, defesa e garantia dos direitos individuais, protocolos e capacitação das polícias, campanhas de sensibilização, participação social, dentre outras matérias.

Para secretária da Sepromi, Fabya Reis, a reunião representou um avanço significativo nas discussões da esfera da segurança pública e pelos direitos da população negra. "Aqui estão reunidas algumas das organizações históricas do movimento negro da Bahia. Esta escuta é imprescindível e, juntamente com a SSP, estamos trabalhando para uma profunda capacitação da segurança pública nestes temas. A introdução do compromisso do combate ao racismo institucional no PPA do Governo do Estado reforça a implementação destas políticas e ações conjuntas", disse.

O secretário da SSP afirmou que a intenção, reforçada a partir desta agenda, é atuar em parceria para construir uma agenda permanente.  "Queremos as organizações em interlocução conosco e vamos nos reunir periodicamente, criar grupo de trabalho para tratar destas pautas", informou Ricardo Mandarino. Ele informou sobre o andamento da instalação de uma coordenação para acompanhamento dos casos de racismo, intolerância religiosa e violências contra a população LGBTQIAP+.

O secretário da SJDHDS, Carlos Martins, pontuou que o Governo do Estado reafirma seus compromissos com as bandeiras de luta dos movimentos. "Estamos atentos a essa pauta, atuando em parceria e articulação com a Sepromi no enfrentamento ao racismo e à violência. Diálogo e parceria são as palavras-chave dessa atuação com a SSP. É importante ressaltar ainda a atuação transversal e de diálogo implementada pelo secretário Ricardo Mandarino, sempre em contato com as secretarias que atuam na área social", ressaltou.

A vice-presidente do Conselho de Desenvolvimento da Comunidade Negra (CDCN), Lindinalva de Paula, destacou a importância de diálogos permanentes. "É fundamental conversar com estas secretarias estratégicas, sobretudo para nós, mulheres negras, historicamente mais afetadas pelo racismo. Queremos políticas públicas que sejam construídas com o povo negro", ressaltou. "Estamos tratando do direito à vida. Nosso desejo é que este diálogo seja continuado", completou o dirigente da Coordenação Nacional de Entidades Negras (Conen), Gilberto Leal.

Durante o encontro as secretarias divulgaram ações cooperadas, a exemplo de parcerias e diálogos da Sepromi com corregedorias, comandos das polícias, cursos de formação para profissionais da área da segurança pública e funcionando do Centro de Relações Étnico-raciais da Polícia Militar.

Também estiveram presentes lideranças do Movimento Negro Unificado (MNU), Unegro, Iniciativa Negra por uma Nova Política sobre Drogas, Coletivo de Entidades Negras (CEN), Coalizão Negra por Direitos, Enegrecer, Sociedade Protetora dos Desvalidos (SPD), CMA Hip Hop e representações da Secretaria de Relações Institucionais (Serin).

COMENTÁRIO DO BJÁ

A matéria da Sepromi diz que o encontro foi para tratar temas de combate ao racismo e em defesa dos direitos humanos. Não cita a proibição do governador Rui Costa que determinou a extinção das festas paredões consideradas uma manifestação da cultura da periferia frequentada pelos pretos e pobres, em sua maioria.