segunda-feira, 06 de julho de 2020

Moonlight, filme bom para O debate da raça

Sérgio São Bernardo
13/03/2017 às 10:03
Acabei de assistir Moon Light de Barry Jenkis. Ganhador merecido e inusitado do Oscar 2017. Filme imprescindível para o debate sobre afetos e alteridades entre humanos. As interpretações do elenco majoritariamente negro facilitam a vida do diretor que pede que o silêncio e o não dito da trama nos inspirem a captarmos a atmosfera neoplatônica que imprime à película. 

O filme aborda de maneira sútil e fronteiriça o limite entre o desejo, o medo, a resiliência, o remorso, a solidão, a brutalidade e a afirmação de homens, no caso em tela, dos homens negros e, de forma contundente, como homens negros vivem sua sexualidade. Amei o filme. Sem cera. Resoluto. Dá um tapa na cara em quem espera da próxima cena aquela imagem dos estereótipos a partir do senso comum, da bicha louca, do traficante bélico e do jovem que vence as armadilhas de um destino e vira um exemplo. 

O filme fala de amizade e afeto entre homens traduzidos em amizade e solidariedade num ambiente hostil. Quem vê o filme observará mais que breves esquetes da vida do jovem Pequeno/Chiron e Preto, que vive numa comunidade de uma cidade da América do Sul. Enxergaremos mais do que traumas de infância, autoafirmação na adolescência e dilemas da vida adulta; outra grandeza do filme é o jogo dos olhos e gestos faciais sugerindo a dose oceânica de carinho e compreensão que o filme transmite. Toda a trama simbólica se revela aqui magistralmente. 

Homens e mulheres, brancos, mestiços e negros precisam atentar para esta dimensão de solidão e melancolia do jovem negro que está acostumado com o papel brutalizado do macho alfa para esta dimensão existencial do humano em nós e sabermos mais que modelos já pré-concebidos de diferença e igualdade. Filme bom para o debate interseccional de raça, gênero e sexualidade que está na pauta do momento!