segunda-feira, 30 de novembro de 2020

POMPÉIA, Amatrice, Geútilo e o 24 de agosto

Durval França Filho
02/09/2016 às 09:29

Pompeia era uma cidade do Império Romano situada a 22 quilômetros de Nápolis, na Itália, embora sem a sua importância, mas que se tornou um símbolo da vida romana. O solo era fértil, e grandes as oportunidades para negócios e lazer, o que tornou a região rica e desenvolvida.

A cidade foi fundada, possivelmente, entre os séculos VI e VII a. C., pelos oscos, povo que habitava a Itália central. Em 89 a. C., foi anexada à República Romana pelo general Lúcio Cornélio Sula.

Com suas casas coloridas, os habitantes procuravam curtir a boa vida, de forma rotineira e sem grandes preocupações. Os banhos públicos eram alguns dos entretenimentos que marcavam a vida cotidiana dos pompeianos. A cidade também passou por um grande avanço na história da arte do mundo antigo, onde surgem aspectos culturais marcadamente eróticos, como a veneração ao falo. A Universidade de Nápoles, por muito tempo, manteve em segredo uma coleção de objetos e afrescos eróticos desse cotidiano de riqueza e luxúria.

Próximo a cidade, estava o vulcão Vesúvio olhando-a desde sempre, até que em 5 de fevereiro de 62 d. C., foram dados os primeiros avisos de que o gigante estava acordando e algo maior, extraordinário, estava por acontecer. Um terremoto sacudiu a região e provocou sérios transtornos e prejuízos na cidade, que estava em festa.

Em 24 de agosto de 79 d. C., o Vesúvio acordou de vez e passou a vomitar cinza e lava, causando terror e morte a milhares de pessoas. As cidades Pompeia e Herculano (vizinha) ficaram soterradas durante 1669 anos até que foram reencontradas, por acaso, em 1748. No contexto da tragédia humana, além da destruição dessas cidades do Império Romano, outros acontecimentos fatídicos têm sido revelados através da história com relação a 24 de agosto, tanto no mundo natural como no mundo social.

Em 410, Alarico I, rei dos visigodos, deu início à invasão contra o Império Romano do Oriente (os Bálcãs), que culminou com o saque a Roma. Em 1572, na histórica Noite de São Bartolomeu, milhares de protestantes foram massacrados pelos católicos, em Paris, com o beneplácito do imperador Carlos IX, que teve Gaspar de Coligny como conselheiro.

Em 1930, tiroteio na cidade baiana de Canavieiras, entre figuras das duas mais poderosas facções políticas, deixou o saldo de um morto e vários feridos.. Em 1954, ocorreu no Brasil o suicídio do presidente Getúlio Vargas, com um revólver colt de calibre 32. Em 1968, a França deflagrou, no Pacífico, sua primeira bomba de hidrogênio. Em 2004 aconteceu atentado terrorista que explodiu avião da 57 Airlines.

Passados 1937 anos da hecatombe de Pompeia e Herculano, em 24 de agosto de 2016, um terremoto de magnitude 6.2 na escala Richter, atingiu a região central da Itália, provocando a morte de mais de 250 pessoas, sem contar os desparecidos, principalmente na pequena cidade de Amatrice, que fica na região do Lácio, com população de aproximadamente 3 mil pessoas. O local é considerado um dos lugares mais bonitos da Itália e conhecido destino turístico.

Sem colocar em realce o aspecto aziago do 24 de agosto (no que não acredito), o que pode significar estas e tantas outras catástrofes sociais e naturais em um mundo em descontrole? O planeta está agonizando ou tudo não passa de mera coincidência? Vale a pena refletir.