segunda-feira, 30 de novembro de 2020

Impeachment de Dilma: Crime quase perfeito

Álvaro Gomes
12/05/2016 às 20:22
O Brasil amanheceu golpeado. Golpe que deixará sérias consequências ao país, notadamente às pessoas mais necessitadas. O impeachment de Dilma foi um crime quase perfeito: contra a democracia, contra a Justiça, contra os direitos humanos e contra a Constituição. Tudo, sem dúvida, com a interferência direta das elites
locais e internacionais, principalmente dos Estados Unidos, tendo como principais instrumentos os grandes meios de comunicação, setores da Justiça e parlamentares envolvidos diretamente em corrupção e em crimes contra os direitos humanos.

Desprezaram a vontade de 54 milhões de pessoas que votaram em Dilma, e mais milhões de outras que não votaram, mas não concordam em rasgar a Carta Magna. O Brasil se constitui hoje num verdadeiro paradoxo. Os maiores envolvidos em corrupção no nosso país foram os instrumentos utilizados para derrubar a presidenta Dilma,
comprovadamente honesta, com o discurso de combate à corrupção.

Aplica-se aí o postulado psicanalítico de Sigmund Freud, chamado de projeção, onde o cidadão projeta no outro aquilo que ele de fato é: os cunhas, malufs,  bolsonaros, felicianos, entre outros chefes de quadrilha, conseguiram no Senado um número suficiente de votos para afastar a presidenta Dilma, 55 x 22.

O crime foi quase perfeito porque foi tudo arquitetado minuciosamente, conseguindo passar uma ideia geral para boa parte da população, que os chefes de quadrilha eram honestos e que a presidenta Dilma - comprovadamente honesta -, era desonesta. Para dar sustentação a essa estupidez, praticaram a política do quanto pior
melhor, com o objetivo de paralisar a economia, criar um clima de pessimismo e aí ganhar apoio popular para violentar a democracia.

Especialistas na  área calculam que a queda de 2,5% a 3,0% do PIB nacional se deu em função dos reflexos da Operação Lava Jato. Eu diria que, provavelmente, 1 % se deu em função do clima de pessimismo criado e da política do quanto pior melhor, implementada pelas forças golpistas.

Os meios de comunicação comprometidos com as elites foram instrumentos poderosos para implementar o golpe, na sua programação diária, nas novelas e no conjunto de sua grade de programação. Buscava-se formar no dia a dia uma opinião totalmente deformada da realidade.

Conseguiram passar a ideia do caos social e econômico, quando o Brasil estava numa posição bem superior ao período anterior aos governos de Lula e Dilma. O Brasil passou da 14ª economia em 2002 para a 7ª economia atualmente. O índice de desemprego caiu nas regiões metropolitanas de 12,5 % para 4,5%; foram retirados da extrema pobreza cerca  de 30 milhões de pessoas, enquanto que em países considerados de primeiro mundo da Europa e até os Estados Unidos aumentaram o número de desempregados e miseráveis. 


O número de vagas nas universidades cresceu de forma considerável na última década no Brasil. O trabalho doméstico recebeu  importantes políticas públicas de valorização. A empregada doméstica passou a ter o mesmo direito que os demais trabalhadores, o salário mínimo aumentou de R$ 200,00 para R$ 880,00.

Mas o crime não foi perfeito porque hoje mais da  metade do povo brasileiro, apesar de todas as manipulações da mídia golpista, entende que foi cometida uma grande injustiça, e que aqueles que aplicaram o golpe farão uma política de entregar nossas riquezas ao grande capital, a exemplo da Petrobras. Se tentará acabar
com as conquistas históricas da sociedade e desenvolver uma política de favorecimento aos corruptos e às elites brasileiras e internacionais

O crime não foi perfeito porque haverá luta e mobilização para que o Brasil volte a respirar a democracia, conquistada com tanta luta e sacrifício dos trabalhadores e da sociedade. O crime não foi perfeito porque, mesmo entre os senadores, a vitória foi apertada onde no julgamento eles precisarão de 54 votos e
tiveram nessa votação 55. Ainda assim alguns senadores destacaram serem a favor da abertura do processo, mas não necessariamente a favor da condenação.

O crime não foi perfeito porque Dilma sai de cabeça erguida, fruto de um golpe que ela própria já sofreu anteriormente, quando foi torturada e presa, e continua defendendo o direto das mulheres, dos negros, dos mais necessitados, dos discriminados e da soberania nacional.

O crime não foi perfeito porque haverá luta e muita luta. E como diz o inquestionável ex-presidente uruguaio, José Mujica, derrotado é quem para de lutar.