sexta-feira, 18 de setembro de 2020

Lembranças sobre o poeta Ildásio Tavares

Durval França Filho
17/01/2016 às 11:55
 Conheci Ildásio Tavares em 1994, quando participei de um Concurso Regional de Poesias, em Ipiaú, junto com o saudoso Adelmar D. Santos, que foi o classificado em primeiro lugar. Eu fiquei em terceiro. Ildásio Tavares estava lá para o lançamento de seu novo romance A Ninfa. Conversamos bastante sobre a cultura regional e, no exemplar que adquiri, ele colocou: “Ofereço A Ninfa a Durval Filho, com todo apreço e admiração por seu talento e seu brilho. Ipiaú, 12 de janeiro de 1994”.

    Ildásio Marques Tavares nasceu na fazenda São Carlos, atual município de Gongogi, região cacaueira da Bahia, no dia 25 de janeiro de 1940, filho de Eduardo Tavares dos Santos e Hilda Marques Tavares. Estudou em Salvador, onde se formou em Direito, e em Letras pela Universidade Federal da Bahia. Fez mestrado na Southern Illinois University, dos Estados Unidos,  doutorado na Universidade Federal do Rio de Janeiro e pós-doutorado na Universidade de Lisboa.Dono de curriculum invejável, era poeta, romancista, novelista, dramaturgo, ensaísta, compositor, e pertenceu à geração da Revista Bahia, ao lado de Cyro de Mattos, Marcos Santarrita, José Carlos Capinam, Ruy Espinheira Filho e tantos outros.

   Seu primeiro livro de poesia, Somente um Canto, foi publicado em 1968 e a esse seguiram outros, de poesia e em prosa: romances, teatro e ensaios. Como  compositor teve 46 músicas gravadas por Vinícius de Moraes, Maria Bethania, Alcione, Toquinho, Nelson Gonçalves e Maria Creusa.

    Comprometido com a cultura afro-brasileira, foi Ogá de Oxum e Obá Arê da Casa de Xangô, do Axé Opó Afonjá. Também foi autor da ópera Lídia de Oxum.com música de Lindembergue Cardoso,  regida por Júlio Medaglia, levada às margens da Lagoa do Abaeté, em Salvador, para um público de aproximadamente 30 mil espectadores. Depois, foi apresentada em diversos palcos brasileiros.

Tradutor e professor de Inglês, durante quase vinte anos, serviu-se dessa experiência para o seu livro A Arte de Traduzir. Seu trabalho poético tem merecido crítica favorável de grandes nomes nacionais e estrangeiros, como Carlos Nejar, que o considerava poeta baiano e universal; Jorge Amado, Fernando Py e Nelson Werneck Sodré. Tem poemas traduzidos e publicados na Argentina, Uruguai, Chile, Bulgária e Estados Unidos, onde lecionou Português e Literatura Brasileira.

O dono dessa brilhante produção faleceu no dia 31 de outubro de 2010, aos 70 anos, em razão de um grave acidente vascular cerebral, que resultou em falência múltipla dos órgãos. Uma grande perda.