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29/05/2017 às 11:44

DESPUDOR na República chega ao ponto máximo

Milton Cedraz – Engº Agrº Técnico em Desenvolvimento Econômico pela Cepal/ONU - Consultor do Pnud/ONU
mcedraz@globo.com

Milton Cedraz

   Despudor, segundo a enciclopédia e dicionário ilustrado de Koogan/Houaiss, significa, além do óbvio “falta de pudor”, impudicícia, impudor, sem-vergonhice, e, finalmente, desrespeito humano.
 
   Tudo isso e muito mais se poderia atribuir aos nossos parlamentares, sem medo algum de errar ou mesmo ser tachado de exagerado.
 
   Claro que alguns gatos pingados se poderiam salvar e assim mesmo, muitos deles que nos merecem algum respeito, volta e meia “pisam na bola”!

   E confiança, nem falar! 

   O mesmo poderia ser atribuído à grande parte do judiciário.

   Ambos, com as melhores remunerações do setor público! 

   Remunerações vírgula, pois, além dos altíssimos salários, eles se auto agregam e continuam, pelo menos tentando despudoradamente, agregar aos seus proventos, mais penduricalhos e quinquilharias, de toda natureza.
 
   Ao ponto de nosso parlamento ser um dos mais onerosos do mundo. 

   Este fato cresse de importância e chega a ser estarrecedor, se comparado com os custos de países muito mais ricos e, sobretudo, pelo nível de pobreza de nosso povo em relação à média dos salários e aposentadorias, dos servidores públicos, em especial dos parlamentares e integrantes do judiciário. 

   Some-se a isso o conjunto de acintosos e asquerosos privilégios, diuturnamente sendo acrescidos de novos, de forma mais despudorada! 

   A indignação fervilha mais ainda ao tomarmos conhecimento de sucessivas falcatruas bilionárias. 

   Ficamos até a nos perguntar onde o país guarda tanto dinheiro, de forma tão fácil de roubar! 

   E aí ficamo-nos sentindo impotentes, diante de um legislativo e judiciário, podres. 

   Chega a ser constrangedor ver membros do Supremo enrolados naquelas togas, símbolo do saber jurídico e da honra e que alguns conseguiram transformar em ridículas peças para esconderijo de falcatruas, literalmente, embaixo de panos negros! 

   Principalmente quando tomamos conhecimento que a todo instante e em todas as instancias estão, tal qual o legislativo, providenciando formas de, não só manterem os privilégios existentes, como, principalmente, criando novos. Por vezes defendendo processos que procura encobrir ou facilitar falcatruas!
  
   Para melhor conhecê-los, basta se informar sobre benefícios e processos em andamento nos sinistros meandros das câmaras e dos tribunais.
 
   Tudo na maior tranquilidade, ignorando-se tormentas, descalabros e suas funestas consequências para a economia nacional que aprofunda a nossa endêmica pobreza. 

   Enquanto isso, suas excelências se empanturram de privilégios e de benecesses ou acobertam mutretas como a que acabamos de assistir com o escabroso episódio do JBS.
 
   Neste, um espertalhão genial matou vários coelhos com uma cajadada só, enquanto membros do Supremo vêm, botando falação, de forma professoral, sobre os problemas nacionais e suas soluções, como se fossemos em bando de oligoides que nada percebe! 

   Não é que esse vigarista conseguiu, ao mesmo tempo: ferir de morte os dois principais desafetos da oposição, faturar bilhões de dólares em manobras previsíveis na bolsa de valores e ainda ser autorizado mudar-se para o exterior sem ter acertado suas contas com a justiça e as instituições que ludibriou? 
E por fim, ainda derrubar a presidente do BNDES, que estaria entre outras coisas, no encalço das mutretas que o compadrio ajudou se concretizar!
 
   Pelo visto, parece até que de fato, o crime compensa. Pelo menos por aqui!

   Este episódio que superou o que se classificava como o “tissunami” Odebrecht, fez as autoridades, que nela não se imiscuíram, de idiotas e o povo brasileiro de parvo!

   Tudo com a devida complacência dos governantes, desde o processo de financiamento, apadrinhado ao longo dos últimos anos, como pelo seu desfecho cinematográfico, a altura de filmes no estilo: Tudo por Dinheiro e Golpe de Mestre!

   É bem verdade que, até certo ponto eles têm razão, quando se vê pesquisas indicando preferencias eleitorais descabidas apontando para aqueles que estão no olho do furacão, da suspeição de falcatruas. 

   E o que é pior é que alguns artistas e intelectuais, ignorando opiniões da grande maioria, sejam brasileiros ou mundiais, em especial de um dos mais renomados como Noam Chomsky que considera extremamente equivocada a postura das esquerdas latina americana que, mesmo se envolvendo em mal feitos de toda natureza, lhes declaram apoio. 

   Mas afinal o que se poderia fazer? 

   Tudo indica que no mínimo se deve impor ao Congresso, uma PEC de origem popular, contendo milhões de assinaturas, sendo essas providenciadas pelo engajamento de todos aqueles que, de alguma forma, vêm se manifestando nas redes sociais. 

   O apelo a esses seria de que chegou a hora de transformar suas indignadas manifestações na rede, em algo concreto que poderá fazer com que os parlamentares e o judiciário tenham que engolir soluções de grande interesse da nação que não coincidem com os seus.
 
   A primeira delas é a que acrescentaria ao artigo 5º da Constituição Federal um paragrafo que suprimiria, a partir da sua aprovação, todo e qualquer privilégio estabelecido para qualquer categoria pública e privado, a quem quer que seja, a qualquer título, tendo em vista o que reza o “caput” do referido artigo de que: “todos são iguais perante a lei”. 

  O que tornaria ilegal qualquer privilégio, por mais simples que seja!

   E outra, entre tantas, seria de que as questões relativas à remuneração, reajuste ou benefício que a integre, sejam quais forem efetuadas com recursos públicos, para qualquer dos poderes, teriam que ser apreciadas pelo CDES - Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social, com base em critérios estabelecidos e incorporados à Constituição Federal.

   Freio nunca é demais para raposas que tomam conta de galinheiro!


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