sexta-feira, 03 de dezembro de 2021
Colunistas / Cinema
Diogo Berni

Azul é a cor mais quente, vale a pena assistir esse caso de amor

Outra sugestão é o filme Jovem e Bela, de François Ozon
04/01/2014 às 16:02
Azul é a Cor Mais Quente, dirigido e co-roteirizado por Abdellatif Kechiche com brilhantes atuações de Adèle Exarchopoulos e Alma Jodorowsky, França, 2013.

Cinematograficamente escrevendo o ano passado não deixou muitos bons filmes, ousaria em escrever que se conta nos dedos os filmes realmente bons. Azul é a cor mais quente fora uma exceção desse fraco ano que passou, o filme seria bom em qualquer ano e não à toa ganhou a palma de ouro de Cannes em 2013. 

Com lançamento para o dia 06 de dezembro de 2013 no Brasil, só chegou na Bahia no final do ano ( normal esse atraso em comparações com São Paulo e Rio de Janeiro), mas vamos escrever sobre o filme, este pelo qual ainda me encontro em estado de êxtase , principalmente por suas duas personagens centrais, sendo que uma delas (Alma Jodorowsky ) , inclusive, não participa das ações promocionais do filme por ter sido como um puta pelo diretor nas quentes cenas de sexo no filme ( a primeira cena sexual demorou dez dias pra fazer e tem quase dez minutos ininterruptos na projeção de 179 minutos ).

 O diretor por sua vez se defende falando que a atriz é parente de uma das maiores produtoras de cinema da Europa, e que pelo fato ele, o diretor, ter origem africana, sofreu preconceito pela família da atriz o impedindo de fazer a propaganda do filme. 

Muita polemica gerou o atual filme Palma de Ouro em Cannes; O filme fora feito através de uma obra adaptada de Hqs de uma estudante francesa que na época tinha apenas 19 anos, hoje a escritora um pouco mais velha se sentiu “traída” por ver sua obra literária com outro viés na tela: o viés da venda, das cenas explicitas de sexo que exaustaram as atrizes ao limite por tanta repetição em um tipo de orgia mental do seu diretor para que elas ( as cenas e as atrizes ) ficassem perfeitas e comercialmente agradáveis , tanto quanto fossem necessárias regravar as tais cenas. 

Entretanto quando escrevi que o filme é bom com ou sem a palma de ouro de Cannes, se deve ao fato que ele fica ecoando em nossas mentes durante um bom tempo. Não quis me prender a criticas que encontrarão a milhares no Google sobre o enredo do filme;

 Quis focar os bastidores antes e pós-filmagens para que depois de conferir ao filme os espectadores tenham suas conclusões e não se deixem influenciar por escritos de fulano ou beltrano taxando o filme como homo ou heterossexual, politicamente correto ou incorreto, pois na verdade o filme nos conta essencialmente uma estória de amor, e quando o assunto é amor ou paixão esses clichês ficam de fato irrelevantes. Não gosto do Steve Spielberg, mas ele acertou em cheio em premiar esse filme com a palma de ouro de Cannes como diretor do Júri do prestigiado festival: ponto ao cinema que agradece e se “desencareta”.
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Jovem e Bela, de François Ozon, com Charlotte Rampling, França, 2013. Como nós, homens, podemos estabelecer ou dizer que somos de fato homens? Para as mulheres essa pergunta é mais fácil de ser respondida: Quando elas passam a ter o poder da sedução e deixar, nós homens, malucos por suas bocas, corpos e trejeitos. O filme nos conta a estória de uma menina que tem uma natureza forte e por isso não modificada com o tempo ou situações;

 Pessoas assim com este tipo de personalidade são donas do seu tempo e geralmente são desprovidas de sentimentos como amor, dor; No fundo pessoas com o temperamento da protagonista vêm ao mundo em busca de dar e receber prazer e somente isso importa essencialmente. Jovem e Bela nos narra a estória de uma garota que por curiosidade ( ou seria já sua própria natureza berrando em seus hormônios precoces?) perde sua virgindade com uns treze anos em uma bela praia da Riviera Francesa. Estudante de letras na Souborne a garota acha um meio de ganhar dinheiro e ainda fazer coisas que supostamente te davam prazer.

 O filme pode ser uma profunda tese psicanalítica, em que a garota se dá literalmente aos seus clientes por conta da ausência de um pai, sendo criada por madrasto e sua mãe. Mas como não somos Psicanalistas focaremos na natureza da protagonista, esta sim é marcante, pois impressiona sua frieza após cada encontro, cada transa, cada centavo contado através do seu trabalho “suave”.
Ela faz seu trabalho como estivesse comprando um sutiã tamanho a sua naturalidade. Fazia isso pelo dinheiro? Não essencialmente, fazia mais porque sua natureza pedia. Não entrarei no mérito se essa tal natureza era somente de necessidade sexual ou não, mas tinha também a ideia de fazer o que as suas amigas da Souborne não faziam, do ser diferente dos outros, já que de certo modo ela se sentia assim por não ter tido pai e meio que explanava essa carência de uma forma que escandalizasse a sociedade e claro, a sua família culpada pelo fato de ter a deixado ser criada somente por sua mãe, sem a presença paterna. 

Quando escrevo que a menina já nasce com essa libido de natureza sexual inquietante é porque até o seu madrasto em certa cena não aguenta a natureza arrasadora da nossa bela protagonista. O filme nos deixa um recado: Não adiantam querer mudar a essência das pessoas, elas são o que são. Imagine se todas as pessoas do mundo fossem iguais, o quão chato seria esse mundo. Mudanças na vida acontecem, mas a essência das pessoas não muda. É um tipo de marca registrada que vem com nós quando nascemos, e gostemos ou não temos que “carregar” essa tal marca registrada pelos restos das nossas vidas. Belo filme e protagonista.