quarta-feira, 08 de dezembro de 2021
Colunistas / Cinema
Diogo Berni

Blue Jasmine e a esperteza de Woody Allen

Os piratas do Caribe- navegando em mares profundos, do Rob Marshall, EUA, 2011; Que mostra uma coisa legal e velada
21/12/2013 às 14:14
 Blue Jasmine, Woody Allen, EUA, 2013. Com uma capacidade quase que altruísta o diretor mantém a incrível média de um filme feito por ano. Dessa vez ele volta a sua terra natal, São Francisco, EUA, dando um tempo de filmar por encomenda em cidades da Europa para atrair turistas. Nessa longa, que na verdade não é tão longo assim, (apenas enxutos 98 minutos de projeção) o diretor nos brinda com um roteiro que por acaso fora criado quando observava uma conversa da sua esposa com uma amiga que passava por uma crise em seu casamento. 

  As posteriores e com detalhes contados por sua esposa, Woody se interessou pela história de uma mulher recém-traída e colapsada nervosadamente por sua crise financeira e matrimonial e resolveu fazer um filme da situação da amiga da sua esposa, e obviamente com o carimbo de qualidade do diretor ao seu novo filme. Porém o que de fato chama atenção no filme é a sua trilha sonora: esta deliciosamente embasada e sugada por Jazz, ritmo esse que o próprio Woody Allen gosta e toca com seu clarinete em jantares especiais para amigos em Nova Yorque e São Francisco. 

   Todavia voltando ao filme e tendo como base sua protagonista (Cate Blanchett), que em um dia “normal” vai comprar uma bolsa da Luis Vitton e depois de saber que estava falida por seu ex-marido ter sido preso por sonegação de impostos e outras cositas bem mais pesadas, agora tem se virar para vender a mesma bolsa na mesma loja que comprava para suas amigas dondocas. 

   Claro que a mulher não segura a onda e tem um colapso nervoso com direito a conversar sozinha na rua, confundido-a como uma louca e prontamente encaminhada para ser “tratada” por sua  irmã pobre. O filme fora feito por flashes backs, ora ela ostentado sua antiga vida em festas elegantes com seu marido galinha, ou ora ela morando com sua irmã e seus dois sobrinhos em uma casa simples e pequena no subúrbio de São Francisco, tendo que trabalhar como recepcionista em uma clinica de dentista para pagar um curso de computação para ingressar na carreira de designer de interiores.

    Enquanto Woody Allen tiver ímpeto para rodar um filme por ano, temos que agradecer e ir ver seus filmes, porque neles estará sua marca registrada de sempre fazer filmes de primeira qualidade, afinal ele de fato continua a ser o cara do cinema atual.
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   Última Viagem à Vegas, Jon Turteltaub, EUA, 2013. Às vezes pergunto-me: será que vale a pena colocar toda uma carreira com excelentes papéis feitos na sétima arte somente por uma boa grana? Pois bem: esse pode ser nosso principio de resenha para esse filme que tem no elenco nomes como: Kevin Kline, Michael Douglas, Morgan Freeman e Robert De Niro. Tudo bem que o roteiro nos conta uma estória de amizade de mais de cinquenta anos desses quatro caras, mas colocá-los para fazer uma despedida de solteiro em Vegas em um final de semana soa no mínimo como de mau gosto.

   Não pelo motivo de suas idades avançadas, mas sim, pelo humor desinteressante da comédia que acaba não agradando nem os mais jovens e nem os mais experientes. A comédia tem como espinha dorsal uma rixa entre os personagens Billy (Michael Douglas ) e Paddy (Robert De Niro ) por nas suas juventudes, gostarem da mesma mulher. A lembrança não fora esquecida e de certa forma ela se transforma como o fio condutor de uma comediazinha romântica sem muitos atributos em relação ao roteiro, mas salvo por seus atores ou ao menos eles tentam fazer isso, se que é possível. Fato é que a paixão pela mesma mulher acontece cinquenta e oito anos depois da primeira paixonite aguda dos dois por outra mesma mulher já falecida. Agora a mulher em questão é uma cantora em Vegas.
 Enquanto Billy era viúvo, Paddy estava em sua despedida de solteiro para casar-se com uma mulher com a metade de sua idade.  Em 105 minutos de projeção, segredos do passado vão e vem como ioiôs nos suntuosos cassinos de Vegas. Rixas antigas aparecem, mas no fim das coisas a verdadeira amizade prevalece entre os dois e a cantora fica com um deles, deixando o outro chupando o dedo por hora, mas depois encontrando a “felicidade” também. Um filme fraquinho que até agora não sei o porquê de tantos atores bons aceitarem os papéis que lhe foram dados, coisas de Hollywood: nada mais e nada menos que isso, somente pela grana.
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   Os piratas do Caribe- navegando em mares profundos, do Rob Marshall, EUA, 2011; Que mostra uma coisa legal e velada: As duas personalidades de temperamentos entre os povos Espanhóis e Inglês. Enquanto os latinos de sangue quente usavam isso para expandir seus lares conquistados, que foi o caso das colônias na nossa America do sul e latina, os ingleses usavam a racionalidade para enfrentar os mares e conquistar lares também, como o continental Estados Unidos da América do Norte. 

   Na verdade o filme não aborda nada disso, eu é que fiquei com essas comparações na cabeça. O filme é puro entretenimento chato e comprovou uma coisa que desconfiava desde o primeiro filme da saga; o tal do Jack Sparrow é um gay enrustido. Em momento algum em todos os filmes o protagonista pega na vera uma mulher. Este talvez seja o grande mistério desvendado da saga, que sinceramente espero que tenha acabado de vez, pois ninguém merece mais um filme desta saga pra lá de batida e previsível.