ter�a-feira, 07 de dezembro de 2021
Colunistas / Cinema
Diogo Berni

Viajo porque preciso...e os desafios humanos

Oh! Rebuceteio é um lendário longa nacional de 1984, dirigido e atuado pelo Cláudio Cunha
07/09/2013 às 10:55
Viajo porque preciso, volto porque te amo, de Marcelo Gomes, Karim Aïnouz, Brasil, 2010; É um pouco de documentário com ficção. A ideia dos diretores é interessante mostrando a viagem de um geólogo de fortaleza até o interior cearense durante 30 dias. 

   O Título do próprio filme fora tirado de uma placa durante as filmagens. Não vemos em momento algum a cara do protagonista, somente ouvimos a sua voz, que é em minha opinião do melhor ator brasileiro em atuação: o pernambucano Irandhir Santos, que com seu tom dramático e sotaque carregado dá mais visceralidade a trajetória do Geólogo que a todo o momento se lembra de sua amada: uma botânica que deixara em Fortaleza após uma briga e talvez por isso a viagem se torne pra ele prá lá de um ano e não um mês como realmente foi. 

  Os diretores acertam no filme por ele ser despretensioso, ou seja, narra apenas uma viajem de um personagem e os protagonistas são na verdade a própria viagem e as situações das pessoas que encontramos nela. Um filme duro, por vermos a falta de expectativa de vida no nordeste brasileiro, porém por essa mesmo “dureza” percebemos desabrochar “o lado bom do lado ruim”, ou seja, o que a falta provoca e cria ao mesmo tempo, mostrando como o ser humano é capaz de ser generoso quanto não esperamos por isso. 

   Fita curtinha, mas cheia de toques de como enfrentar os desafios humanos de forma digna.
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   Cine Holliúdy , Dirigido e roteirizado por Halder Gomes, Brasil, 2013. Antes de destacar algumas gafes da fita, tem-se de laurear a homenagem que este filme faz a sétima arte, e isso por si só já vale conferir. 

   Ademais certas coisas ficaram realmente toscas, como as legendas, que teria como objetivo dar uma "explicação" para o linguajar cearense, porém as ditas frases típicas cearenses aparecem nas legendas como os atores falam, ou seja, não explica o que gíria quis dizer, dessa maneira temos uma legenda para um filme nacional totalmente desnecessária e malfeita, pois como estamos acostumados já a ler as ditas legendas e as lendo em um filme nacional perdemos certos gestos e cenas que não perderíamos se não as tivesse. 

   Com isso a qualidade da fita se perde visivelmente em qualidade, mas vamos ao seu enredo. Trata-se de uma comédia, mas com cunho de revolta por parte da TV tomar o lugar do cinema. Contamos nos dedos as cidades dos interiores do Brasil que se tem cinema, e isso de certa forma é uma coisa séria, pois o cinema é tão mágico e diria necessário, que posso afirmar que uma pessoa sem o poder de sonhar e imaginar é uma pessoa mais pobre, principalmente de alegria e alma. 

  O cinema te dá isso de uma forma rápida e espontânea: o poder de imaginar coisas, de ver e escutar estórias, de fugir do cotidiano sem graça da maioria dos interiores brasileiros, enfim o cinema é necessário para a formação do individuo, mas sou suspeito ao afirmar isso. Apesar de o cinema ser novinho ( 118 anos apenas ) em comparação a música, literatura e pintura, por exemplo, ele tem esse dom de contar estórias e transportar as pessoas para outro lugar que não seja este real que vivemos. Não que as outras artes não tenha esse poder de transportamento ( também tem ), mas de certa forma a sétima arte tem mais “cartas na manga” do que as outras artes, pois em um filme podemos ter música, pintura e literatura. 

   Não quero entrar no mérito de tentar julgar qual é a arte mais completa, mas posso escrever que o cinema é a arte mais rápida que podemos “beber na fonte” desse mundo cada vez mais rápido. Você pode ganhar um dia ou um mês vendo um filme bom de 2 horas e ficar de cabeça feita. Já lendo um livro, pintando um quadro ou compondo uma música isso poderia demorar até anos. 

   Tudo bem que ouvir uma música boa é legal idem e tão instantâneo como o cinema, mas o ouvir uma música não engloba tantos elementos artísticos que um filme envolve de modo que essa comparação é inviável: cada macaco no seu galho, como diria Gilberto Gil. Não quis enrolar ninguém e nem pulei o enredo do filme: a sua essência é exatamente essa; Valorar a sétima arte. 

   Confesso que depois do filme bateu uma vontade de abrir uma salinha de cinema pequena que fosse em cada cidadezinha brasileira, do Iapoque ao Chuí, assim sem dúvidas teríamos um país muito melhor. O Jargão do Governo Dilma que diz: “Brasil : um país rico é um país sem pobreza”, poderia perfeitamente ser mudado para: “Brasil : um país rico é um país com o povo tendo acesso ao cinema”.
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   Oh! Rebuceteio é um lendário longa nacional de 1984, dirigido e atuado pelo Cláudio Cunha. Antes de começar a escrever sobre o filme temos que colocar os "pontos nos is" e explicar o que o título do filme significa de fato.Tudo bem que o título Rebuceteio possa instigar algum pensamento sexual, mas na verdade a palavra Rebuceteio significa uma confusão dentro da pequena área, no futebol, com vários jogadores tentando chutar a bola ao mesmo tempo.
Termo criado pelo então cronista esportivo Luiz Lobo e tornado popular pelo cronista social Ibrahim Sued, que depois passou a grafar apenas rebu. Mas voltando a idéia do filme, que era preparar atores para uma peça de teatro, porém durante os ensaios o sexo grupal acaba sendo o exercício mais praticado. O fundador do teatro do oprimido, o genial e visionário Augusto Boal, sempre quando lhe é perguntado indica a fita para o processo de criação de obras teatrais.

    O humano crú, ou seja, a forma sem forma é o que norteia o processo. Os acontecimentos, entendimentos e desentimentos dão corpo ao filme -processo. Este filme é referência às cabeças pensantes do teatro brasileiro hoje , ontem e sempre pelo fato de antes de tudo; da sua transgressalidade, imprimindo valores ditos como imorais e deixando a criatividade no processo criativo de um espetáculo teatral, que é sempre artesanal escreva-se de passagem, dar o "tom principal" ao resultado final, e por isso o filme é considerado como um dos mais importantes produzidos em nosso país até os dias de hoje.