quarta-feira, 08 de dezembro de 2021
Colunistas / Cinema
Diogo Berni

LORES RARAS é chocante como poesia

Sem dor sem ganho (Pain & Gain). Dirigido por Michael Bay, EUA, 2013. Trata-se de um filme adrenalizante do início ao fim.
31/08/2013 às 13:32
 Flores raras, dirigido por Bruno Barreto, Brasil, 2013.Chocante como a poesia tem o poder de transformar estórias medianas em estupendas.

   O filme conta o romance entre a poetisa Elizabeth Bishop (Miranda Otto) e a arquiteta brasileira Lota de Macedo Soares, interpretada de forma estupenda por Glória Pires ( que em certas cenas vemos o Tony Ramos no lugar por ela fazer o “macho” do casal ). 

   O bem feito drama-romance nos conta a estória desde a chegada da poetisa em solo brasileiro até a relação duradoura dessas duas mulheres que tinham temperamentos distintos. Enquanto a arquiteta era a pragmática e objetiva da estória, ajudando inclusive o governador da Guanabara da época ( Carlos Lacerda ) a fazer o que é hoje o parque do Flamengo, não deixando de fazer também uma menção a transição ou regressão no Brasil da democracia para o golpe militar na década de 1960.

    A outra parte, ou seja,  a poetisa por sua vez era a parte fraca da relação, não querendo se apegar a nenhum compromisso profissional e enchendo a cara “pacas” para conseguir criar seus poemas, estes que lhe renderam o prêmio Pulthizer de literatura e estando na lista das 4 maiores poetisas e escritoras de todos os tempos, lhe dando prestigio e fama mundial, se é que essas coisas a interessavam. 

   A fita é super indicada, pois é um daqueles filmes que se sai com a alma mais leve, e inclusive de bem com a vida tamanha são os exemplos de superação e sabedoria da poetisa. Desde a Febre do Rato do pernambucano Cláudio Assis não via um filme legal nacional, até que fim esse preencheu as expectativas mesmo sendo falado em inglês, ponto ao Bruno Barreto e ao cinema tupiniquim que dessa vez deu uma bola dentro.
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   Sem dor sem ganho (Pain & Gain). Dirigido por Michael Bay, EUA, 2013. Trata-se de um filme adrenalizante do início ao fim.
 
   A trama tem como foco central o universo dos fisiculturistas e marombeiros na ensolarada Miami da década de 1990, que de tudo fazem para transformarem seus corpos em verdadeiras esculturas. O roteiro é assinado pela dupla Christopher Markus e Stephen McFeely, dos filmes Crônicas de Nárnia e do ainda inédito Thor: O Mundo Sombrio (01/11/13), ainda assim o roteiro de Sem Dor, Sem Ganho reserva surpresas na medida em que vai misturando principalmente comédia com ação, e isso não necessariamente nessa ordem. 

   A estória começa em 1995, mas faz um pequeno retorno para 94, quando o off do protagonista situa você dentro daquela realidade e de seus pensamentos: "Sou forte, sou gostoso, eu acredito em malhar... No país mais sarado do mundo, é preciso ter objetivo e se dar bem". O recurso do narrador retorna em outros momentos, mas nada que comprometa a obra ( pelo contrário: o roteiro é matematicamente bem arquitetado). Isso porque os absurdos se acumulam, podendo provocar inquietação no espectador, além de risos. 

  Afinal, o protagonista resume a máxima capitalista que insinua o seguinte "Quem não sabe ser oportunista, certamente será um derrotado”, tudo em nome de um sonho, que era o vulgo “sonho americano” de ganhar grana a qualquer custo. 

   O protagonista, que era um personal trainner se envereda no mundo do crime seqüestrando um dos seus alunos , este aluno que com o entusiasmo da dopamina quando a libera em suas sessões de musculação na academia que o protagonista trabalhava, acaba falando demais sobre sua vida pessoal e dá “ o caminho das pedras” para o saradão arquitetar seu plano de seqüestro com seus outros dois bombados companheiros:  um broxa por uso excessivo de anabolizantes e o outro um ex-detento ligadão num pó com uma birita e ainda por cima evangélico, porém as coisas não saíram como eles esperavam.

   O seqüestrado descobre seu seqüestrador pelo seu odor de seu fedido perfume de baunilha que usava, então para não deixar vestígios agora seria necessário, depois de fazer a “rapa” na fortuna de um judeu colombiano com sua assinatura dando seus bens para o nome dos seqüestradores através de torturas múltiplas, e as posteriores para não deixar vestígios teriam que matá-lo, porém acham que matam, mas não o fazem direito e então seus “sonhos americanos” se transformam num calvário tendo eles que se virar para se livrar ao mesmo tempo da polícia e de um detetive em que o colombiano contratara para reconquistar seus bens novamente. Uma coisa que ficou tosca, além de ter sido baseada em uma estória real, fora a censura para filme: 18 anos. 
  Não vi nenhuma cena de sexo ou violência deveras acachapante para tal alta censura, 12 anos estava de bom tamanho. O filme vale na medida do seu espírito, ou seja, se estiver precisando de uma dose de adrenalina sem o compromisso de pensar para te reanimar para começar uma semana inteira que começa, o filme é valido, pois levanta o astral total, caso contrário esta não seja sua necessidade, não vale.
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   Meu nome não é Johnny, Mauro Lima,  Brasil, 2008.O filme é baseado numa história verídica e sem trocadilho, o tal “baseado” se vê muito pouco, nesse longa a estória é outra: ela é branca e ágil como uma cascavel, ou seja, a cocaína. Selton Mello praticamente incorpora o personagem após inúmeras conversas de laboratório com o próprio. A filmografia é a seguinte: retrata a vida de mais um jovem de classe média que de usuário se torna traficante. 

  Inicialmente a fita mostra o lado bom da coisa com festas, amigos e mulheres e a posterior retrata o lado ruim quando ele é pego com 6 kg da branca num apartamento em Copacabana. Disso vem à prisão junto com a piração, depois o hospício que seu advogado consegue o livrando da prisão e mais piração, porém agora pelo motivo da abstinência da droga.

    Hoje o cara é limpo, faz inúmeras palestras motivacionais, ainda é músico e produtor cultural e fez sucesso no ano de lançamento do filme com aparições no Faustão, Gugu e outros programas populares dominicais e prova que é possível a regeneração sem que precise necessariamente passar por uma lavagem cerebral se tornando um servo do senhor, basta apenas ter uma cabeça boa e uma boa porção de humildade.