quarta-feira, 08 de dezembro de 2021
Colunistas / Cinema
Diogo Berni

PRÁ LÁ DO MUNDO e as vibes do Vale do Capão

Tese sobre um homicídio (Tesis sobre Homicídio ), de Hernán Goldfrid, Argentina, 2013, fica a desejar
24/08/2013 às 19:25
 Pra lá do mundo, dirigido e roteirizado por Roberto Studart, Brasil, 2013. Foi uma bela surpresa este documentário no meio desse  mês chuvoso de Salvador. Não por acaso quando estive por lá me senti tão mal recebido, e agora conferindo o documentário percebo o porquê e dou total razão a eles por terem me tratado como um capitalista sem escrúpulos ou simplesmente como um mero capitalista.

    O documentário tem a sensibilidade de traçar a trajetória da criação do Vale do Capão, localizado no meio do estado da Bahia, desde os seus primeiros anos até os atuais mostrando suas transformações como, por exemplo, a chegada da luz elétrica na vila ( visto que o Capão faz parte do município de Palmeiras e por isso e outros motivos tem a idéia de quem pisa por lá de ser uma “terra do Oz”, onde pode colocar-se contra o sistema capitalista por não ter governantes ). 

   A fita aprofunda-se na questão do turismo na vila, com uns mostrando-se a favor por dar visibilidade turística e econômica aos nativos, e outros são radicalmente contra o turismo, a chegada da luz elétrica e toda e qualquer tipo de civilização capitalista que cedo ou tarde acabaria por “cobrar” tais luxos como, por exemplo, um simples vaso sanitário, este que quando chegara à vila causara grande alvoroço aos nativos por sempre fazerem suas necessidades no mato ou como diziam: “ soltarem o barro”, mas agora nos vasos de forma mais higiênica.

    Outra questão abordada no bom documentário fora a mistura de etnias e culturas com o povoado da vila se casando com gente de tudo que é tipo de país, inclusive até um cidadão Curdo ou do Curdiquistão, como mencionara com bom humor um nativo mais experiente da vila. 

   Os incêndios, por a vila ser localizada num parque nacional protegido por lei federal, também foi centro de discussões entre os moradores da vila ( nativos e estrangeiros residentes de todas as partes do mundo ). 

   Algumas teorias foram levantadas a respeito do tema com interesses políticos embutidos para supostos e suspeitos atos criminosos. Todavia sempre o povo arregaçava suas mangas a apagavam os fogos, e que por vezes, davam suas próprias vidas para isso, como foi o caso de português que morreu queimado. Havia e há ainda uma discussão sobre a criação de uma moeda verde para a vila, onde todo turista seria obrigado a colaborar logo quando adentrasse no “paraíso”. 

   Um comentário de uma soteropolitana que trocou Salvador pelo Capão há dez anos me chamou uma atenção especial, pois ela dizia que quem adentrava no vale sentia de imediato uma energia ou vibe especial, tipo como cortando suas “zicas” capitalistas, porém quando esse povo ia embora depois das festas e festivais, os moradores adoeciam por se sentirem sugados enérgica e “almamente” dos turistas festeiros que procuravam se reconectar com a natureza saindo de lá recarregados a custo de outros ficarem descarregados: é a famosa lei humana “ tome de lá e não receba de cá”, pois nós somos por natureza egoístas.

    O que deu pra ter certeza é que o Vale do Capão é de fato um lugar especial e que vale ser visitado, mas vá sem muito pudor material para que a vibe seja mais legal.
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    Tese sobre um homicídio (Tesis sobre Homicídio ), de Hernán Goldfrid, Argentina, 2013. Quando vamos escolher um filme para assistir levemos em conta alguns detalhes, tais como: quem é o diretor, o elenco ou a nacionalidade do filme. 

   Pois bem no caso desta película levei em consideração os dois últimos citados, ou seja: o elenco e a nacionalidade do filme. Dos cinco últimos anos pra cá tornei-me um fã assumido do cinema argentino por sua qualidade e de um ator em especial que fez os mais importantes recentes filmes portenhos que é o Ricardo Darín. 

   Por estes argumentos fui conferir o meu primeiro filme visto de suspense policial argentino, e um dos poucos do gênero produzido neste solo, pois como mencionei sou um assíduo cinéfilo dos filmes deste país vizinho que sempre primou pela qualidade em suas películas. 

   Mas da primeira decepção a gente sempre corre o risco e foi justamente isso que sucedera ao ver esse filme. Vejam bem: esta conclusão de que o filme não é bom foi e é puramente pessoal: é possível que assistam e gostem do filme, mas como fiquei “mal-acostumado” nesses últimos tempos em só ver filmes muito bons argentinos, este não passou pelo meu critério de suposta qualidade.

   Em primeiro lugar os filmes argentinos têm como sua maior qualidade os seus roteiros que são sempre inteligentes e entendíveis, não que eles sejam redondos ou de fáceis percepções e entendimentos ou “mastigados” ( nada disso ), são roteiros agradáveis e inteligentes acima de qualquer gênero e isso infelizmente não acontece com o roteiro de Tese sobre um homicídio onde vemos um protagonista que era um professor universitário de direito, interpretado por Ricardo Darín, desnorteado em seus valores confundindo um suposto desmembramento de um assassinato com a sua capacidade em esclarecer o crime ou até a falta dessa capacidade. 

   O que percebemos é que apesar de o cinema ser uma arte, e por isso esta permite uma certa liberdade criativa em comparação a outras áreas , porém ainda assim mesmo que seja uma arte, esta tem regras a serem respeitadas, coisa qual a Argentina não a fez pensando que já se encontrava pronta para realizar um filme de suspense psicológico bom, assim como faz em outros gêneros como o drama ou a comédia. 

  O gênero do suspense tem por si elementos peculiares que o fazem como um gênero atípico que carece de mais amadurecimento por parte dos seus roteiristas e diretores e fica claro que nossos vizinhos portenhos ainda não estão preparados para a produção de fitas do gênero, e se eles não estão prontos ainda para o suspense psicológico quem dirás, nós: o Brasil que se encontra “ anos luz” atrás deles. Para filmes bons de suspense é melhor recorrermos aos americanos ou aos europeus; é bem mais seguro.
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   Percy Jackson e o Mar de Monstros, dirigido pelo contestado Thor Freudenthal, EUA, 2013. O filme tinha a pretensão de ser um novo Harry Potter, porém não agradou a crítica, tampouco o público, podendo assim ser classificado como um tiro que saiu pela culatra pelo investimento e principalmente pela expectativa dos leitores da obra literária que foi adaptada para o cinema.
 O filme é uma continuação de outra fita lançada em 2010, intitulada como Percy Jackson e o Ladrão de Raios, todavia agora neste de 2013 a presença de Deuses é bem menor (com somente a presença do Deus dos mares Poseidon e seu filho, este que era metade humano e outra parte um Deus aquático sobrinho do seu tio Netuno), mas a dinâmica do seu trio principal  (interpretados pelos jovens ainda não talentos consagrados :Logan Lerman, Brandon T. Jackson e Alexandra Daddario) continua bastante parecida, para não escrever idêntica em comparação ao primeiro filme da saga em 2010. Os três jovens destemidos recebem um desafio e começam uma jornada para solucioná-lo, tentando salvar o mundo no meio do caminho. 

   Acho válida a experiência em 3d neste filme por sua direção de efeitos especiais. Um entretenimento especialmente feito para o público adolescente, porém os adultos podem desfrutar-se também por mexer em nosso poder de imaginação e fantasia que por vezes deixamos de lado ou não ouvimos.