quarta-feira, 08 de dezembro de 2021
Colunistas / Cinema
Diogo Berni

O CONCURSO, uma comédia bem brasileira

O Troco, de André Rolin, Brasil , 2008. Inverta as posições: imagine-se alugando um operador de telemarketing. Pois bem: este é o tema desse curta metragem
27/07/2013 às 11:03
 O Concurso, dirigido pelo Pedro Vasconcelos e roteirizado pelo LG Tubaldini Jr, Brasil, 2013. Não achei um filme ruim, como sinceramente acho na maioria das vezes quando se trata de uma produção nacional do gênero comédia por falta de criatividade. 

   É bem verdade que lacunas ou buracos enormes existem sobre questões de roteiro e a exploração excessiva regionalista dos seus personagens. A história é a seguinte: quatro concurseiros dos quatro cantos do país são selecionados para a prova final ao posto de juiz federal. 

   A prova final seria feita na cidade do Rio de Janeiro, e por esse motivo dos quatro candidatos, três ( Um cearense que tinha alergia a gatos e uma esposa embuchada; Um gaúcho gay enrustido que não queria de jeito nenhum que seu pai soubesse dessa “catástrofe” e um super CDF oriundo do interior de São Paulo ) chegaram alguns dias antes para estudar e saber o local das provas. 

   Mencionei três dos selecionados e não quatro pela justa causa que o último era da terra e escreva-se por sinal: um arquetípico malandro carioca que conseguia as coisas no famoso jeitinho brasileiro, ou seja, “no toma lá e dá cá” ou na malandragem carioca, assim como preferirem, que ao meu modo de ver deixa a imagem do Brasil de um país corrupto onde com grana tudo é possível de comprar e isso incluindo nossa lei em plena época de copa do mundo e olimpíadas.

   M mas enfim: de certa forma é assim mesmo que a “ banda toca e sempre tocou por aqui” desde a época ditatorial ou até bem antes dos militares tomarem o poder com governos anteriores. 

   Na comédia depois de alguns porres e situações na “cidade maravilhosa”, os quatro candidatos percebem que realmente não existiria a mínima possibilidade de passar devido aos “cascudos” assuntos  da prova para juiz federal. 

    Eis que surge a idéia do malandro carioca maconheiro sem vergonha que só queira saber de praia, sombra e água fresca, de comprar tal gabarito da prova do concurso através dos seus contatos ilícitos. Nessa busca pelo gabarito eles sobem, descem, tomam tiros ( que por milagre nunca pegam ) em morros pacificados e em morros não pacificados também com o objetivo de mudarem suas vidas, apesar de que no final das contas um somente ganharia a vaga para ser um juiz federal.

    Não posso deixar de comentar a primeira participação nos cinemas da apresentadora Sabrina Sato com toda sua saúde fazendo um papel de uma ninfomaníaca querendo a todo custo tirar o cabaço do candidato paulista e o mais nerd, mas como os opostos se atraem ( ao menos para o diretor em sua primeira aventura em um longa para sétima arte e para um primeiro filme não se saiu nada mal em comparação a outras comédias nacionais que tenho visto recentemente). 

  O filme cumpre seu papel que é somente entreter sem maiores ambições.
                                                                          *****
    Antes da meia noite, dirigido por Richard Linklater e roteirizado pelo próprio Richard Linklater, com Ethan Hawke e Julie Delpy roteirizando também e atuando em cena como o casal principal, EUA, 2013.

    O filme é um fecho de uma trilogia entre escolhas ou a falta delas para qualquer casal ou pessoas. Neste último filme temos agora os seus personagens centrais beirando seus quarenta anos e reatados depois de dez anos de separação. 

  Com uma dupla de lindas gêmeas como filhas dormindo praticamente o tempo inteiro do filme, se abre então a oportunidade para a continuação do que a trilogia propõe, ou seja, um baita “Drzão”, leia-se como uma discussão de relacionamento que parece não ter fim, que foram por vezes monótonas, porém ainda assim os diálogos “cabeças” tem seus pontos fortes que nos fazem pensar de como somos destinados a viver através de nossas escolhas, e isso nos parece óbvio, todavia o “DRzão” tem a sensibilidade e o bom roteiro em mostrar escolhas por toda uma vida com seus contras ( como ver o  companheiro definhando e/ou você próprio ), e seus prós:  ( que é alicerçar laços de amizade fazendo com sua amante seja mais que isso, ou seja, uma verdadeira cúmplice e amiga em suas decisões ). 

   A maioria da crítica caiu de pau nesse último filme dessa trilogia que começou em 1994 com Antes de amanhecer ( pra mim o melhor ), alertando que o terceiro é de longe o pior filme de todos. Eu discordo, acho que cada filme teve sua época e sua estória para contar, assim como o primeiro abordou o primeiro encontro ( e por isso foi o filme mais romântico ), O

    segundo , Antes do pôr do Sol rodado em 2004, abordava a continuação desse romance com o casamento, suas crises até a inevitável separação, e por fim o terceiro fora o menos fictício da obra, mostrando um casal que podia ser eu ou você com direito a envelhecer, ter rugas, cabelos grisalhos e o acúmulo das experiências da vida. Se Antes da meia noite não fora o melhor filme dessa trilogia de sucesso de público, ao menos foi o mais humano mostrando como os casais são na sua realidade e por isso digno para um fechamento de uma estória bem contada apesar de alguns excessos em seus diálogos entre seus protagonistas que beiravam a infantibilidade. 
Outro fato interessante a ser observado na trilogia como um todo é o envelhecimento dos atores principais de 1994 até 2013; Isso deixa a estória e seu desfecho mais humana e verdadeira, e por isso mais bacana também, mostrando que o tempo é o senhor de tudo.
                                                                                     ******
   O Troco, de André Rolin, Brasil , 2008. Inverta as posições: imagine-se alugando um operador de telemarketing. Pois bem: este é o tema desse curta metragem. Certo dia a Enganatel ( não Embratel ) liga oferecendo uma linha extra gratuita e um sujeito gordo com o barrigão à mostra atende o bendito telefone. A sátira começa com um questionário que o gordo começa a perguntar a atendente, como: que telefone está usando, sobrenome, número de cadastro, etc. 

  Enfim uma ideia bacana que faz nos vermos como esses operadores são chatos, porém eles estão simplesmente trabalhando e a culpa não são deles de fazer um trabalho tão mecânico como esse. O buraco é bem mais embaixo, veja se em Cuba existe isso? Óbvio  que não, mas como o mundo não tem peito pra ser uma Cuba , vivemos e aguentemos os operadores de telemarketing das Enganatels da vida e haja paciência para isso.