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Colunistas / Cinema
Diogo Berni

CINEMA: O homem que ri, atual diante dos protestos

Se Beber não Casa, não recomendo a ninguém.
29/06/2013 às 12:59
  O homem que ri (L´homme qui rit), de Jean-Pierre Améris, França, 2013; É incrivelmente atual em nosso cenário de protestos políticos. Baseada e adaptada da obra literária homônima do escritor francês Victor Hugo, o mesmo da obra os Miseráveis. 
   
   O filme conta a história de um garoto que por dívidas morais do seu pai para com o rei francês do século XVII, é colocado como “troca de mercadoria” a fim de humilhar o sujeito, que era seu pai, o qual insistia em ser rebelde e não obedecer a ordens monárquicas.

    A troca fora: “ Eu pego seu filho e dou para outra família só pra mostrar quem manda e você fica sem nada”, diz o rei. E o pai anárquico não tem muito que fazer após isso a não ser tirar cabo de sua vida, e assim o faz. 

   O garoto é entregue a um médio insano que faz uma cicatriz em sua face do garoto para ter laços eternos com ele. A cicatriz consistia em dois cortes fundos em cada bochecha até os lábios, de modo que parecia que a criança estava sempre sorrindo, daí o titulo do livro e posterior e adaptavelmente na medida do possível nome ao filme: O homem que ri. 

   Ainda criança a criatura bestificada aos auxílios do bisturi médico é abandonada pelo seu “criador-pai adotivo” deixando o garoto com frio e fome em uma tempestade. Fato este da miséria ser um contínuo na obra de Victor Hugo e que sempre nos incomoda pelos detalhes em que descreve pela falta de humanidade dos homens.

   Abandonado ao “Deus dará” e com a promessa do seu pai adotivo de que voltaria para um dia pegá-lo o garoto acaba por conhecer um outro pai adotivo interpretado pelo sempre excelente Gérard Depardieu. 

   O sujeito era um tipo de meio mágico meio curandeiro nômade que estava passando pela região fria e pobre onde o garoto fora abandonado. O curandeiro vê o garoto vagando sujo, doente e percebe a sua bestialidade facial, porém ainda assim por generosidade humana concede a ele abrigo em seu modesto Trailer. 

   Veículo-casa este que além do curandeiro já era habitado por uma menina linda e cega que também fora adotada pelo nômade de coração do tamanho de seu corpanzil, ou seja, grande. Eis que um dia por pura coincidência do destino o garoto abre o velcro que escondia seu rosto em plena apresentação circense do seu novo pai e desse dia em diante acaba sendo a atração principal dos espetáculos 

    O riso que ele tinha na face era motivo de piada devido a sua bestialidade, mas também era um símbolo para aquele povo pobre que não tinha e nem conseguia sorrir por terem vidas tão miseráveis.

    De certo modo seu sucesso se atribuía a esses dois fatores: a surpresa e a identificação que as pessoas tinham com a cicatriz, pois cada indivíduo senão por fora, mais por dentro carrega cicatrizes tão feias ou mais que a do garoto.

   E o garoto bestial acaba crescendo assim como sua irmã cega. Sempre juntos os laços “parentais” acabam por sucumbir pela puberdade. O sucesso das apresentações com a criatura que vive rindo continua ao longo dos tempos e se torna ainda maior quando uma nobre, por um olhar avassalador dele, se apaixona pelo homem fascinante e bestial. 

   Ela fala:” O que mais me atraí em você é que somos iguais, ou seja, por dentro sou a mesma coisa que você é por fora”. O homem que ri acaba sucumbindo aos encantos e aos cheiros de perfume de mulher nobre traindo sua ex-irmã de amor puro. Pura talvez ela tenha sido por ser cega e por isso não se contaminava com os excessos mundanos e humanos.

   Fato é que o Homem que ri acaba virando um nobre e deixa de ser um nômade miserável que era apesar de ser amado pelo seu empresário-pai e sua namorada. 

   Com a nomeação de nobre agora ele podia falar e representar seu povo e quando o mesmo se adentra no senado com o rosto devidamente coberto e vê a rainha do alto não perde tempo e descobre seu rosto multifacetado. Ação esta que desemboca uma série de risos e chacotas dos parlamentares chamado-o de palhaço e aberação. Por sua vez rapidamente ele dá a resposta se pronunciando:

    “ Essa cara que vocês riem e chacotam tanto é a cara desse povo miserável que vocês não tratam e fazem vistas grossas. Sou a representação desse povo que precisa ser mais respeitado. Assim como meu rosto esse povo é mutilado por vocês todos os dias e novas leis têm de ser estabelecidas e eu com o poder de nobre parlamentar agora exijo essas mudanças”. 

   No filme não fica claro se tais mudanças de fato aconteçam, porém claro fica que o discurso ao menos mexe nos brios da rainha  Pois bem, e é exatamente isso que se sucede em nosso país hoje com a onda de protestos contra a corrupção e outras reivindicações. Parar com os protestos? Jamais! A hora da mudança é agora e só depende de nós para termos orgulho da nossa nação algum dia que seja.
                                                          ****
   Cada dia que passa acredito menos no homem e mais em extraterrestres. A frase inicial serve como introdução não só há um repúdio aos políticos pilantras brasileiros, mas como também ao filme que acabei de assistir. Refiro-me à Sanginitto, 201Área Q, do Gerson SanginittoEUA - Brasil

   Com um bom roteiro encaixado conjuntamente em dois países (EUA e Brasil) a obra ficta - cientifica aborda uma suposta existência de vida inteligente fora da Terra. Com o desaparecimento do filho de um jornalista americano que tem a fama em desarticular esquemas de corrupção em seu país, este desmorona com a perda do seu único parente próximo. 

   Paralelamente a esse drama na terra do tio Sam tem a hisstória de uma pequena cidade de vinte mil habitantes no interior do Ceará chamada Quixadá conhecida como a terra dos Óvnis devida a seu solo enriquecido de urânio, este que servira como combustível para as espaçonaves, diziam os locais. 

   Dos habitantes de lá existiam os abduzidos, sendo que uns foram e voltaram e outros que ficaram abduzidos para servirem de mensageiros. É exatamente aí que os personagens dos dois países se cruzam: o jornalista americano que sem emprego aceita cobrir uma matéria desses eventos esquisitos que acontecem no nordeste ríspido e quente brasileiro e um agricultor nordestino que fora abduzido e agora tinha a missão de transmitir onde o filho do jornalista americano se encontrava agora, ou seja, abduzido também.

   Como qualquer pessoa “normal” o tal jornalista não acredita que existam óvnis que pousem nem abduzam pessoas no Brasil ou qualquer canto do mundo, porém como estava já enlouquecendo ao ponto de ser quase preso no seu país por não achar pistas do paradeiro do seu filho, aceita a proposta de trabalho que era investigar e por sorte desmentir essa história de óvnis.

   Porém fatos foram se encaixando tão engenhosamente na trama que o jornalista acaba ficando com a "pulga atrás da orelha" de seus conceitos e idéias convictas de que extraterrestres realmente não existem.

    Desse modo ele foi investigando e pegando dados através de entrevistas das pessoas que tinham passado pela experiência intergaláctica. Estórias vão e vem, e ele atento a todas, até que um quebra cabeça vai se encaixando surpreendentemente na história dos óvnis junto com o desaparecimento do seu filho. 

   Depois de muitas provas contundentes ele chega à conclusão que seu filho fora abduzido e não roubado por um pedófilo, como ele e a polícia americana suspeitavam. Um filme com um final que fecha o roteiro de uma forma certeira, ou seja, que faz com que acreditemos que exista vida extraterrestre, ao menos a este que voz escreve. 

  Gostei do que vi e recomendo aos céticos e também aos menos céticos por ter bons atores e principalmente por ter uma estória com sentido, mesmo tendo essa estória um tema tão difícil de acreditar. Eu acredito em tudo, se esse pc falar comigo falarei com ele de volta sem problemas, assim a vida é mais divertida.
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   Se Beber, Não Case III, Todd Phillips, EUA, 2013. Juro que me esforçarei para resenhar um filme tão sem graça. Quando se tem o hábito de assistir a filmes intitulados como “de artes”, blockbooster como esse são realmente difíceis de serem digeridos, porém como o pão de cada dia não é fácil e não existe almoço grátis: vamos ao trabalho.

    Trata-se de um fecho de uma trilogia para americanos ver. Confesso que vi o primeiro e não o segundo. E por o primeiro ser mais ou menos acabei indo ver o terceiro e ultimo (ainda bem que é o último mesmo, menos um besteirol na praça). 
Como não vi o segundo filme da trilogia algumas piadas "pra americano idiota rir" ( não todos..)ficaram sem ser entendidas, mas isso não é o pior do filme: a parte pior é ele como um todo, ou seja, se escrevesse que o filme fora feito para um idiota não seria nenhum exagero até mesmo porque um dos seus atores sofre de idiotice aguda ou problemas mentais, e é justamente ele que dá o tom da trama se envolvendo com supostos problemas que envolvem os outros dois personagens menos idiotas centrais da comédia. Em seus 100 minutos de projeção temos a certeza que a cada dia os blockbooster do gênero comédia de Holiwoody são absolutamente desprovidos de qualquer senso de crítica para qualquer idade que seja, ou seja, dispensáveis em qualquer ocasião, ou seja, mais uma vez: um puta besteirol sem ao menos ser engraçado. 

   E o pior de tudo é que essa “obra” ( no sentido de obrar mesmo ) ocupa uma porrada de salas de cinema, de modo que tira de circulação outros títulos bem mais interessantes, mas aí isso já é uma outra estória de comercialização de produções comercias americanas e o buraco é bem mais embaixo .