ter�a-feira, 07 de dezembro de 2021
Colunistas / Cinema
Diogo Berni

CINEMA: Hoje, da Tata Amaral, vale pelo lado politico

Não saberia dizer (fora a politica) porque Hoje ganhou tantos prêmios em Brasília
18/05/2013 às 13:47
Hoje, Da Tata Amaral e produzido por sua filha, fruto de um relacionamento com um ativista contra o regime ditatorial no Brasil. E as aparentes coincidências não param por aí. A obra se desdobra e se percebe como uma auto-cinebiografia. Trata-se de um daqueles filmes em que sua diretora o faz para se livrar de fantasmas passados. 

   Conta a história de uma paulistana que se vê mudando de casa, o filme todo é nesse período da mudança empacotando caixas e mais caixas, só que esse dinheiro é fruto de uma grana que ela ganhara por indenização pela morte do seu companheiro, que repentinamente aparece como um morto-vivo e ainda por cima como uruguaio em que se entende muito pouco pelo o que fala devido ao sotaque carregado portunhol. 

  A habilidade da Tata Amaral em criar cenas em um lugar fechado é magistralmente construído de modo que o filme não fica monótono mesmo a história sendo de uma mudança comum de apartamento protagonizada por uma mulher aparentemente  ( Denise Fraga ) esquizofrênica. 
 
   Se me perguntarem o porquê de tal filme ter ganhado tantos candangos no festival de Brasília passado em 2012, incluindo melhor direção, filme e atriz, não saberia responder, talvez apostasse pelo cunho político que envolve ainda os tentáculos maus resolvidos dos tempos da ditadura militar nacional. 

  Em nenhum outro festival a obra fora sequer lembrada, isso só injustifica a quantidade de prêmios que ganhou no festival da capital federal, um dos mais importantes do país.                                                   ****
 
   Em Transe ( Trance ), do sempre irreverente diretor Danny Boyle, EUA, 2013, no elenco: Vincent Cassel, Rosario Dawson e James McAvoy como pivôs centrais da trama. Um ladrão tenta roubar uma tela famosa do pintor espanhol Goya, mas que todavia na fuga toma uma porrada na cabeça e esquece onde escondeu a rara obra de arte. Como o título já sugere o filme divide opiniões de mais uma obra instigante do diretor, diria que há mais instigante desse diretor inglês. 

   Depois de supostamente dar uma porrada no seu parceiro e este esquecer onde esquecera a obra, esse mesmo parceiro depois de uma série de torturas sem sucessos ao seu cúmplice ladrão “esquecido” recorre a ajuda profissional da hipnose a fim da descoberta do paradeiro da obra de Goya. Misturando passado e presente os personagens vão se embrenhando assim como insetos caem e rolam em teias de aranha quando são fisgados. 

   Como já fora mencionado o filme divide as opiniões dos críticos no sentido de clareza de roteiro e idéias que poderiam gerar soluções para achar a tal obra do Goya. Fato é que invariavelmente e por essa peculiaridade do diretor não nos entregar um roteiro exato saímos do cinema pensando nos buracos que a obra deixa ou os buracos que imaginemos que ficaram ( o que talvez estes tais buracos não existam), mas que, todavia pela engenhosidade da trama crêramos que existam e saímos convincentes disso. No caso deste que voz escreve comecei a entender um pouco mais do que me fora visto na noite ou madrugada depois que dormira, ou seja, sonhando ou como o próprio nome do filme diz: Em Transe. A estória dá tantas voltas no passado e presente que se necessita de um tempo para diluí-la como um todo. 

   O cara que rouba a obra e é aparentemente viciado em jogos de azar e por essas dividas acaba entrando nesse esquema do roubo, porém seu parceiro dá uma porrada em sua cabeça por ele não querer entregar a obra. 

   Depois o cara já sem memória escolhe uma terapeuta em hipnose que supostamente já conhecia e ele não sabia, apenas sentia isso. E de sentir em sentir esse jogo de memória misturada com milhões que a obra de arte representara a trama vai ficando cada vez mais confusa com agora seu parceiro se envolvendo com a suposta ex-esposa do ladrão viciados em jogos. Todo o meu entusiasmo em comentar o filme pode ser deveras inútil já que ainda me pergunto se tive mesmo a percepção certa do suspense psicológico que vira três dias anteriores a este. Porém de uma coisa não tenho dúvidas: se conseguir ficar até o final da sessão pensará no filme durante um bom tempo ou odiará o seu diretor para todo o sempre; Ou as duas coisas.
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   "Waldick - Sempre no Meu Coração", documentário da atriz Patrícia Pillar, Brasil, 2007. A poesia te escolhe e não o contrário. Precocemente fui adentrado, por vontade ou necessidade própria, ao mundo brega, ou melhor, ao universo brega que se consistia em noites regadas a bebedeira, som brega com a poesia crua popular circundando as letras e melodias. 

   Hoje percebo que toda aquelas vivências que tive conhecendo praticamente o estado da Bahia inteiro a fim de continuar nesse ar ou nessa pegada boemia, tinha de fato “incentivos” e/ou causas ocultas que para um piralho de 15,16 anos era impossível de se enxergar, apenas ia sobrevivendo e tentando me manter de pé das coisas que não entendia, mas que era preciso “tocar o barco” ou tocar a vida, assim como os poemas das músicas bregas que nos estimulavam.
Com esse documentário assistido veio-me a tona tudo a cabeça: meu passado, meu lado bruto poético onde nas músicas tanto me identificara. Mas nada melhor como o tempo e o amadurecimento para o entendimento de tudo que foi vivido e a forma como podia ser medido. A forma tem caráter totalmente emocional, não se diz respeito ao meio, nem a condição econômica ou influencia de terceiros, pois como disse no início é a poesia que te chama e você não pode dizer não a ela, senão estará dizendo não a você mesmo. 

   Peço desculpas se escrevi pouco ou quase nada sobre o documentário do Waldick, mas é que de certa forma tudo escrito vem como uma maneira de explicar o que me foi visto em vídeo, mas de uma maneira particular. Waldick: o rei do brega brasileiro, que antes de tudo era um poeta e desse oficio não se tem como se livrar com toda intensidade que merece, seja esse poeta um nobre ou um filho de Caetité na Bahia: a missão será sempre a mesma; transmitir sentimentos para que a vida das pessoas seja menos penosa e  dura: a missão do poeta, e o Waldick fora um privilegiado por ter sido escolhido para tal oficio.