sexta-feira, 03 de dezembro de 2021
Colunistas / Cinema
Diogo Berni

LAWLESS, Polisse e Melancolia são 3 excelentes filmes

VIDE
20/10/2012 às 11:05
 Os infiltrados ( Lawless ) - do diretor John Hillcoat, com as participações de Gary OldmanGuy Pearce , EUA, 2012,  é um filme que tem como tema a lei seca do álcool em solo norte-americano nos anos 1920. Escreveria que a fita deveria ser mais atual do que nunca. Não por sua estúpida lei, que por sinal, hoje, deveria defender a maconha também como droga lícita em poucas quantidades. A fita deveria ser mais atual do que nunca pelo fato de que valora e conta estórias de pessoas                                           (contrabandistas ou não) corajosas e principalmente com caráter.

   Caráter que desquantifica e desvalora quaisquer lei Pré-estabelecida. A fita conta a estória verídica de três irmãos distribuidores de bebidas alcoólicas naqueles tempos estranhos e confusos dos EUA, que, se escreva de passagem sempre foi e pelo andar da carruagem sempre estará na vanguarda mundial como o país mais extraordinário por sua falta de medo ou responsabilidade em mudar as coisas já pré-estabelecidas não sei por quem, talvez por eles mesmo.

   Porém isso então já é mérito deles pelo fato de darem as cartas e o mundo não ter cacife para acompanhá-los. Fora que a nação norte americana é um baita povo que não tem medo de trabalhar e a estória deles já falam isso por si só. 

   Como foi diferente a atitude dos negros de lá comparando com a escravidão com os negros da América do Sul, como a economia conseguiu se reerguer depois da grande queda nesse mesmo período citado, ou seja, década de 20 e 30 do século passado, isso se repetindo agora com a saída do irresponsável governo Bush Filho, deixando aberto ainda à reeleição do Obama por lá.

   Voltando a fita o que mais chamou-me atenção, além da aula de história americana, foi a coragem desses três irmãos contrabandistas, que por serem homens de coragem, existia uma lenda que eram imortais.

   Ora bolas: o que mata todos e tudo sempre foi o medo do que dizem ou do que dizem que vão fazer. Acho que a fita se torna urgentemente atual por isso, pelo fato de precisarmos de gente com coragem, pois hoje pessoas assim estão mais raras do que comer ostras saudáveis, sem qualquer tipo de bactéria.

   Um belo roteiro de uma esplêndida estória real com uma baita fotografia de época que nos faz sair do cinema de certo modo mais corajosos, mais confiantes de que para mudar precisamos dar o primeiro passo, e este, ao contrário que a maioria pensa não é tão difícil assim, basta dominarmos nosso psicológico e veremos que não é esse "bicho de sete cabeça todo" como imaginamos.  
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    Polissia (Polisse ), do diretor Maïwenn, França, 2012 .  "Polícia para que precisa, polícia para quem precisa de polícia. Dizem pra você obedecer, dizem par você responder, dizem pra você respeitar, dizem pra você cooperar  Tony Belotto. Pois bem meus caros , abordaremos agora o outro lado.

   Adentramos a fundo na densa película francesa que explora, mexe e remexe o submundo dos senhores da lei. A tribo a ser estudada são os oficiais que tentam proteger crianças e adolescentes de pseudo infratores ou para ser mais claro, de pedófilos.
 
    As estórias de cunhos reais retratadas na fita não se diferem das as que a gente assiste aqui no Datenna. Pedófilos são os mesmos em qualquer lugar, sejam eles pais, parentes ou meros desconhecidos.

    Ademais a película foi premiada em Cannes esse ano com o principal prêmio do Júri por mostrar não fatos de pedofilia, mas a forma de que os policias mergulham nesse problema psicossocial, e com esse tal mergulho, como espectadores vimos transparentemente às angústias, dúvidas, as suas vidas pessoais carcomidas pelos fortes relatos que lhe são apresentados diariamente, mostrando que para tal oficio não é qualquer um que pode executá-lo.

    Os policiais abrem mãos de tudo para execução do seu trabalho, até mesmo esposa, marido e filho ficam bem em segundo plano ou nem ficam em plano algum. A fita é longa, porém com uma visceralidade que leva as lágrimas em algumas cenas, pois o espectador se torna de certa forma um policial querendo fazer justiça com os tais malfeitores de criancinhas que na maioria das vezes eram seus próprios pais.

   Um filme denso que mexe com nossa sensibilidade e nossa indignação do que o homem é capaz de cometer. 
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      Melancolia do sempre diretor irreverente, inesgotável, inimaginável, genial e transparente dinamarquês  Lars von Trier, França, Dinamarca, Suécia, Alemanha, 2011  

    Tem fitas que por sua grandeza tem-se de se ver ao menos duas vezes para digeri-la. Melancolia trata-se de seleto grupo de película que deixam os nossos estômagos estatelados ao final da sessão.

    O filme é divido em duas partes, a do casamento da protagonista é a primeira mostrando pela hipocrisia social a fraqueza humana, e a segunda parte: por consequência disso, ou seja, da fraqueza humana provocada pela hipocrisia social em que somos obrigados a engolir goela abaixo, mostra a decadência psicológica da protagonista, e ao mesmo tempo e não pelo mesmo motivo com a chegada do planeta Melancolia que iria eclodir com o nosso não sobrando nada nem ninguém.

   O fato de a protagonista estar melancólica depois do desastre do seu casamento na primeira parte do filme e um planeta chamado melancolia destruir tudo de uma só vez fora genialmente bem arquitetado pelo seu contestado diretor. Fato é que, na segunda parte da fita, quem era forte virou fraco, e quem era fraco, melancólico, depressivo, choroso vira forte e segura a onda. 

   Talvez isso acontecesse pelo fato de quem sofre ou quem conhece a dor sabe lhe dar melhor com a morte, e pra quem sempre fora "perfeito e normal" sofrem demasiadamente com situações em que não podem mudar. A fita instiga aos mais sensíveis ou fortes, pois para esse em que vos escreve as duas palavras citadas são claramente sinônimos, a conhecer as outras obras do ousado diretor.