sexta-feira, 03 de dezembro de 2021
Colunistas / Cinema
Diogo Berni

MAMUTE MOSTRA DEGRADAÇÃO HUMANA VISTA PELO CINEMA

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21/07/2012 às 07:01
Foto: DIV
Gérard Depardieu perfeito em Mamute
   Mamute, dirigido pela dupla Gustave Kervern, Benoît Delépine , França, 2010, é um filme com um baita protagonista (Gérard Depardieu ) que mostra a degradação humana de uma maneira pouca vista em sétima arte tamanha a carga dramática da fita mostrando um não convencional homem juntando papéis para que possa ter direito a se aposentar.
 
   Para contrapor a exigente burocracia que é necessária para a aposentadoria em solo gaulês temos um personagem central total e genialmente desprovido de valores morais, onde lucidez, liberdade e a incapacidade de seguir regras ou leis pré-estabelecidas andam lado a lado durante todo o filme, o que o torna apaixonante.

   Estamos resenhando um filme de difícil compreensão por sua abstração de ideias, onde o que interessava no fim das contas não era o direito ao dinheiro da aposentadoria em si, mas uma libertação de lembranças passadas vividas por seu brilhante protagonista (quase um monólogo), que era um ser acometido de surtos e imagens de uma mulher machucada e fria, cheia de feridas no rosto, que parecia ter sido sua mulher e ter sofrido um acidente de moto com ele dirigindo e por isso ele carrega esse peso e "essa fantasma" a maior parte do filme, até que consegue achar a vida novamente com sua sobrinha que não a vê faz vinte anos, assim como também comete relações sexuais com seu primo que não o vê pelo mesmo período.
 
   Como mencionei um filme instigante de compreensão dúbia onde humilhação, valores morais do tipo: é proibido se apaixonar por uma sobrinha poeta são meros detalhes.
 
   O recado entendível da parte que vos escreve da fita é o seguinte: Não se acometa a pré-julgar e até mesmo a maltratar alguém por ser diferente ou mais exótico. As pessoas são o que são, e essas que são "diferentes", sem dúvidas são as mais interessantes sempre.  
                                                                    **
   Bili Pig, do Eduardo Belmonte, 2012, é mais uma comédia nacional meia boca, ou seja, mediana. É o tipo do filme que veio para levantar a moral daquele brasileiro operário padrão e este sair do cinema com um sorriso no rosto e falar que a vida é boa.

   Por esse motivo, por ser um filme leve, que coloca as pessoas pra cima com uma comédia bem tramada, não se podendo escrever o mesmo do roteiro, Bili Pig vêm com um corretor de seguros picareta feito pelo Selton Mello e de certa forma dando suporte a estreia da Grazielli Massafera as telonas e já como protagonista. Protagonista esta que quer ser famosa e rica a qualquer preço.

    Pra segurar a Grazi ou o filme, do outro lado tem-se um padre sacana e cheio de paranoias devido a sua infância como coroinha ladrão, feito pelo experiente e sempre bom Milton Gonçalves. Por se tratar de comédia brasileira sem querer ter a ingenuidade de comparar com as comédias da Argentina, por exemplo, tá de bom tamanho, pois trata-se de um filme bem produzido e elencado e com uma protagonista que além de ser muito bonita se esforça bastante para agradar.
 
    Não gosto de ser chato comparando sempre os filmes daqui com os dos nossos "hermanos" argentinos, porém comparo por obrigação do papel de ser crítico de cinema, e para o cinema nacional se desenvolver e progredir não tem país mais próximo e melhor pra que sirva de plataforma para melhorarmos do que a Argentina, e isso se expandem a outros gêneros como drama e documentário.  
                                                                       **

   Beleza adormecida é uma obra Australiana da diretora Julia Leigh,2011. Trata-se de um filme interessante mostrando a dureza do inicio da vida de uma pessoa sem grana, e isso independente do país , seja este de primeiro ou terceiro mundo, visto que em minha opinião países de segundo mundo economicamente não existem mais, salve Correia do Norte e Cuba, que pouca relevância tem ao cenário político-econômico mundial, pra não escrever nenhuma.

    Acho louvável Cuba e Coreia ainda terem regimes comunistas, porém o vulgo regime "comunista" que poderia dar uma força, está "obrando" pra eles, que é a China, que com seu câmbio flutuante do seu Yen, por forças das circunstâncias pode se comportar como socialista ou veramente e cruelmente ou espertamente capitalista.
 
   Porem sobre o filme, conta-se a estória de uma universitária que faz de tudo para arrumar grana. Por ser um filme sem muita forçagem de barra, no que diz respeito a enredo com violência, sangue e coisas do tipo, ele se passa calmo, reflexivo em sua maior parte do tempo.
 
   A qualidade do seu roteiro e do filme em geral é muito boa mostrando uma estória fictícia, porem muito real aos nossos olhos que é a corrida por grana que todos nós capitalistas fazemos na maior parte do tempo consciente e em menor parte inconsciente, até dormindo existem pessoas que sonham em fortunas. Beleza adormecida é um filme leve, agradável que te faz sair do cinema bem com os outros e com a vida.

 
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