quinta-feira, 23 de novembro de 2017
Colunistas / Política
Tasso Franco

Temer comeu angu pelas beiradas e vence na Câmara

Agora, palpiteiros jogam gosto ruim em tudo
12/08/2017 às 21:04
1. Depois da vitória de Michel Temer na Câmara dos Deputados com apoio de 263 votos dos parlamentares mantendo-o no poder e longe das investigações pelo STF das denúncia da PGR, os comentários hoje se direcionam em várias direções. A primeira delas é de que Temer ganhou, mas, sua base não está suficientemente forte para votar a Reforma da Previdência e outras. 

   2. A segunda observação, até da midia européia, dá conta de que o governo empenhou muito em emendas parlamentares para garantir os votos, o que seria vergonoso o uso de recursos públicos; a terceira, favorável a Temer, é que o governo deve aproveitar o embalo e esforçar-se para votar a Reforma da Previdência; e uma quarta, aponta que Temer deveria expurgar o PSDB que se dividiu no voto, o que, em menor escala aconteceu noutros partidos da base, PSD/PMDB.

    3. Diríamos que, ao contrário de Dilma Rousseff diante do impeachment, a qual não soube apaziguar a sua base politica e caiu, Temer comeu o angu pela beirada e deu-se bem. E, é claro, depois do feito, barriga cheia, aparecem os pregoeiros do caos ou do otimismo exagerado.

   4. Cada pleito tem uma história. Daí que as teses pessimistas e otimistas em relação ao dia de ontem, têm algum sentido, registram-se algumas sinalizações, mas, não se sustentam na medida em que, na politica, cada dia tem sua agonia. É como se diz na linguagem popular: mata-se um leão por dia.

   5. A votação da Reforma da Previdência demanda outros tipos de apelos e esclarecimentos, mexe com a sociedade em todos os níveis entre os adultos, portanto, requer um cuidado todo especial. Mas, não tem nenhuma relação com a matéria de ontem. Veja que nem em Brasília, na Praça dos 3 Poderes, houve mobilização popular.

   6. O fato de que o governo gastou uma montanha de dinheiro em emendas é uma prática antiga do parlamento brasileiro e que já dura muitos anos. Salvo algumas exceções, sempre foi assim. Quanto ao PSDB e outros partidos da base que tiveram parlamentares do contra, o presidente deve adotar a linha moderada, entendendo que é melhor ter algo em mãos e sob controle, do que promover um rompimento. A hora, Temer cmentou em sua fala após a votação, é de agregar.

   7. Quanto a tese otimista defendida pelo ministro Eliseu Padilha de votar a Reforma da Previdência até outubro o governo tem tudo para fazê-lo com sucesso, desde que a economia até lá dê sinais de melhora, e ele saiba negociar com as partes. O tema é delicado, mas, dá pra encarar.