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Maurício Ferreira

O QUE VOCÊ PRECISA SABER SOBRE CHAMPAGNE

Maurício Ferreira é bacharel em direito, professor universitário, sommelier profissional filiado a ABS-SP e colaborador do Bahia Já, onde assina a coluna Tempo de Vinho.
28/09/2018 às 21:32

Você, leitor da coluna Tempo de Vinho, deve está neste momento se perguntando: o que eu preciso saber sobre “Champagne e outros espumantes” ou o que quer que seja... afinal, para a grande maioria, o que interessa é que a taça (ou seria “flute”) esteja cheia.

Mas não é bem assim, primeiro devemos nos lembrar que vivemos em um verdadeiro balneário tropicalista, com um excelente clima e uma infinidade de festas o ano todo. O que se acentua no começo da primavera e se estende por um verão de muito sol.

Sendo assim, champagnes e espumantes serão sempre muito bem-vindos para estes momentos tão especiais. Também, devemos levar em consideração, que estas bebidas, geralmente são oferecidas pelos fabricantes e revendedores, por preços mais em conta que os vinhos tranquilos do mesmo padrão e categoria, apesar dos restaurantes cobrarem preços absurdos, a maioria das vezes sem nenhuma justificativa. Isto porque a grande escala de produção da maioria dos rótulos dos espumantes, permite uma otimização de custos, que geralmente os vinhos normais não podem acompanhar. Apenas para se ter uma ideia, espumantes nacionais de excelente qualidade podem ser adquiridos a partir de trinta reais (um vinho tranquilo de nível semelhante custa, pelo menos, o dobro). Convenhamos, nestes momentos, um pouco de conhecimento, sem precisar ser especialista,  fará toda a diferença.

Acontece, que por trás do mistério das borbulhas há muito o que se contar. Para quem ainda não sabe, todo vinho espumante (termo usado de maneira genérica), é obtido a partir de um vinho base de pouca graduação alcoólica, produzido com uvas precocemente colhidas a fim de conservar a alta acidez, no qual se acrescenta uma dose extra de açúcar ou novas leveduras, permitindo que ocorra uma segunda fermentação, que irá acrescentar personalidade própria, como novos aromas, um maior teor alcoólico e muitas bolhinhas (anidrido carbônico).

O processo não é simples, mas também não é tão complicado como antigamente, pois nos dias de hoje,  sabemos que o metabolismo das leveduras ao digerirem os açucares contidos no vinho base ou nos licorosos acrescentados, resulta em álcool e gás carbônico, mas até o homem conseguir controlar esse processo e perceber que as borbulhas de um vinho poderiam ser uma fonte de prazer e não um mero acidente, passaram-se centenas de anos. Somente a partir do século XVII, quando os fabricantes passaram a produzir garrafas mais resistentes, que permitiam a guarda e o transporte de bebidas espumantes sem arrebentar, é que o Champagne ganhou o mercado e a popularidade que hoje desfruta.

Não a toa, os primeiros vinhos produzidos na região de Champagne não possuíam o clássico “perlage” - nome dado ao colar borbulhante que se desprende ao servirmos um espumante de qualidade; assim como eram excessivamente adocicados (mais ou menos como um demi-sec atual).

Nas próximas semanas, tentaremos passar a você que acompanha a Coluna Tempo de Vinho, um pouco mais da historia desta bebida tão nobre e algumas dicas sobre Champagne e outros espumantes, principalmente suas principais características e diferenças, dicas de como comprá-los e avaliações das marcas mais conhecidas, sobretudo os espumantes nacionais, que tanto tem encantado o mundo. Mas como é tradição em nossa coluna, não poderíamos deixar o nosso leitor sem o test-wine da semana, que hoje será com uma das marcas mais tradicionais, a Piper Heidsieck Cuvee Brut, a Champagne oficial do Oscar, prêmio concedido pela Academy of Motion Picture Arts and Sciences, em Hollywood.

Criada em 1785 por Florens-Louis Heidsieck, visando criar um vinho digno de rainha, a Piper-Heidsieck é uma das mais tradicionais e antigas casas de champagne da França. Hoje, é sinônimo de excelência, audácia e grandeza. O vinho assinatura da Piper é o Cuvée Brut, com 4,3 milhões de garrafas vendidas ao ano, ocupando a lista dos 10 champagnes mais vendidos em todo o mundo.

Os champagnes Piper estão estreitamente ligados ao mundo das Artes, do Cinema e da Moda: desde 1993, Piper é o champagne oficial do Festival de Cannes e desde 2015 é o champagne exclusivo do Oscar®. Além disso, estilistas mundialmente renomados, como Jean-Paul Gaultier, Cristian Louboutin e Viktor & Rolf, tiveram participação na produção de artigos de luxo ligados à marca.

Na taça, o Piper-Heidsieck Cuvee Brut é único e com um estilo bem próprio. Mesmo seco, praticamente desprovido de parcela significativa de açucar residual (ainda que não seja um extra-brut, nem nature), mantém um final de boca muito agradável, refrescante e de final adocicado.

Em nossa avaliação, o líquido se apresenta de amarelo pálido, límpido e brilhante, com nuances cor de palha e reflexos ligeiramente esverdeados. Possuidor de perlage fina e abundante, é cheio de estilo e elegância.

As narinas revelam um Champagne rico em notas fermentativas, lembrando brioches e aromas de panificação, os quais, aliados a cítricos, frutas tropicais e alguns vegetais frescos, compõem uma rica paleta olfativa, que prenuncia  um agradável retrogosto de persistente e de boa acidez. 

Cremosa e estimulante, é seguramente uma das melhores Champagnes do mercado, um verdadeiro coringa, capaz de transitar entre pratos mais simples, até os mais elaborados, independentemente do tipo de proteína escolhido. Tudo isso a um preço competitivo e com excelente custo-benefício, situando-se entre uma das melhores do mercado. 

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