ter?a-feira, 25 de fevereiro de 2020
Colunistas / Cinema
Diogo Berni

DESVENTURAS EM SÉRIE, da NetFlix, história dramática

Trata-se da história dos irmãos Boudelers que ficam órfãos no primeiro episódio quando um incêndio avassalador e misterioso matam pai e mãe na mansão em que viviam
05/02/2017 às 12:34
   Desventuras em Série, da NetFlix, EUA, 2017. Se você estiver esperando por uma série com um final feliz, então pode esquecer e parar de ler essa crítica cinematográfica, porém se lhe apetece ver a uma série que foge das outras produzidas atualmente, então continue e leia a crítica inteira, porque assim é bem capaz que após a leitura te interesse ver a série completa. 

   Pois bem, antes de iniciar a contar a série literalmente dita, vamos a algumas informações técnicas. Lançada em uma sexta feira 13 a série será o carro chefe da Netflix desse ano que estamos só começando. As segundas e terceiras temporadas já estão garantidas sendo que a primeira temporada contém oito episódios de mais ou menos uma hora cada. 

   Desventuras em série é originária da literatura sendo que seu autor fez oito livros também ( que coincidência ! ). Além do seriado esta obra já foi filmada em Hollywood em 2004, mas o filme não teve tanto brilho como o da série atual. O protagonista da série da Netflix é na verdade o antagonista da trama. 

   Na vida real além de ator o sujeito é um mágico profissional e essa informação faz-se toda necessária para quando estiver assistindo que percebam a sua atuação convincente, mas principalmente competente: sem dúvidas o melhor ator da série que conta com coadjuvantes com ótimas atuações também. 

    Trata-se da história dos irmãos Boudelers que ficam órfãos no primeiro episódio quando um incêndio avassalador e misterioso matam pai e mãe na mansão em que viviam. Por serem menores de idade é concebido a eles um tutor que cuidassem deles até que a mais velha, de quatorze anos de idade, se tornasse maior perante a lei e pudesse administrar a enorme riqueza que seus falecidos pais deixaram. 

   Para ser tutor deles tinha que ter algum grau de familiaridade, isto é, tinha que ser um parente mais próximo. Lei estapafúrdia a parte o parente que vivia na mesma cidade dos Boudelers era um conde bem transloucado que tinha como grande angústia o fato de não ser um bom ator, porém ainda assim continuava a ter esse sonho, mas só que agora não só esse desejo, mas como também se tornar milionário usurpando a herança dos Boudelers. 

  Quem já assistiu há algum filme do diretor Tim Burton pode imaginar como é a fotografia da série: Sombria e cheia de locações que mexem com nossa imaginação. Os diálogos são quase sempre ironicamente inteligentes, pegando um pouco o ritmo dos filmes do Quentin Tarantino. 

  Sim , os livros são infanto-juvenis, mas asseguro-lhes que a série, que trata-se de uma adaptação, é uma bela diversão para a família inteira pela acidez na ironia nos personagens mixadas com a imaginação que a trama pode chacoalhar as nossas mentes.  

   Mas voltemos a história dos Boudelers apresentando-lhes de um a um: como mencionado a mais velha era a menina de quatorze anos que tinha uma capacidade de construir qualquer tipos de coisas fora do comum. Temos o do meio: o menino de doze anos que adorava ler e tinha uma memória fotográfica, ou seja, ajudava muito a irmã a sair das ciladas que se metiam , alias ajudava não, era mais ajudado que ajudava, escreva-se de passagem e por justiça, além de ser mais novo que ela. 

   E em falar em mais novo tínhamos ainda uma bebe com um estranho, porém utilíssimo poder, que era o do roer qualquer tipo de coisa desde pedra a madeira mais casca grossa que viesse pela frente. Apresentado os irmãos Boudelers e seu triste destino à orfandade foquemos na historieta novamente. 

   Pois bem: como primeiro tutor temos o Conde Olav: um sujeito nojento com uma casa mais ainda que obriga as crianças a deixá-la no grau antes da sua trupe de teatro chegar para um jantar que teria que ter sido feito pelos Boudelers. Os guris conseguem fazer um espaguete a Putanesca de dar água na boca até para o telespectador.

    O tempo passa e o conde Olav bola um plano para colocar a mão na fortuna dos Boudelers; faz uma peça teatral com eles e no meio desta é encenado um casamento real entre o conde e a menina mais velha dos Boudelers, pois somente o tutor teria o poder de deixar a menina cassar sendo menor de idade, e se fosse com ele, seu tutor, melhor ainda para que assim ele administrasse a fortuna por ser o marido de uma menor.

   O casamento é feito perante uma juíza de verdade e no papel, sendo assim que se tornam casados, mas só que não por causa de um único motivo: a menina assina a certidão de casamento com a mão esquerda e ela é destra, dessa forma o casamento não tem valor algum e o conde é desmascarado perante o público e foge para não ser preso. 

   Perante o ocorrido as crianças agora teriam que correr atrás de outro tutor. Então, um sujeito incompetente do banco que está à herança, acha outro parente “mais próximo”. Trata-se do Dr. Montegarry: um sujeito tarado por répteis e os têm e cria em sua casa na sala dos répteis. 

   O nono tutor até que era gente boa, mas a sua loucura ensebada pelos animais deixa brechas para que o Conde Olav volte a amedrontar os Boudelers novamente com o disfarce de assistente do doutor Montegarry. 

   As crianças tem que novamente achar outro tutor porque o Dr. Montegarry é assassinado. O idiota do banqueiro manda os infantis para uma tia distante que sofria de síndrome do pânico; resultado: dois capítulos a mais e esta é morte também pelo horrendo conde Olav que fará de tudo para por a mão na herança. 

   A ficha cai e os Boudelers entendem que aquele banqueiro estúpido e tossudo não poderia protegê-los. Diante da constatação fogem de todos e vão procurar por seus pais por conta própria agora, se é que eles estão vivos como imaginam. Param numa marcenaria e lá ficam sabendo que seus pais colocaram fogo na cidade toda e são escravizados pelo dono. Lá percebem que existe uma sociedade internacional que defende alguma coisa muito importante. 

   O Conde Olav os acha novamente e hipnotiza um dos Boudelers e após inúmeros episódios na marcenaria descobrem que seus pais não podem ser pessoas tão legais como imaginavam, alias nenhum adulto é “todo” legal, literal ou figurativamente. A série acaba com eles num banco de um internato com outras três crianças que supostamente vão entrar na segunda temporada. Por ser uma série somente de oito capítulos dá para maratonar e sair um pouco das séries e filmes cabeças permitindo que você dê asas a sua imaginação e volte a ser criança por um tempo.