ter?a-feira, 25 de fevereiro de 2020
Colunistas / Cinema
Diogo Berni

CHICO, artista brasileiro, um documentário revelador

Essa comédia francesa é de 'morrer' de rir e isso faz bem ao seu final de semana
12/12/2015 às 11:04
   Chico – Artista Brasileiro, do mesmo diretor do documentário Vinicius, Miguel Faria Jr., Brasil, 2015. O documentário é dividido em três partes; a primeira que fala da pessoa física, a segunda da pessoa jurídica (artista, sendo que a primeira e segunda parte se misturam ), e por fim a parte final que é a estória ou saga que Chico faz para ter noticia de um suposto irmão alemão que seu pai o teria fecundado em Berlim por volta de 1920 quando passeava por lá. 

   Portanto então vamos por partes históricas; o documentário se inicia com Chico contando como era ser filho de um baita historiador, e ele como era arteiro, quão difícil era a relação pai-filho. Entretanto quando
perguntam para o Chico o que ele se considera mais: Músico ou escritor? Chico sem titubear dispara escritor, pois desde muito pequeno tinha uma vasta biblioteca e era conhecedor dos principais títulos da literatura, e a música por sua vez só entrou em seu universo um pouco mais tarde somente por acaso, ou
seja, até  ganhar o primeiro festival de música da Record, Chico Buarque entendia a música mais como um hobby que profissão. 

   A ficha só viria a cair quando em solo estrangeiro se viu sem grana e já com família para sustentar, casado há trintas anos ficou com a atriz Marieta Severo, tendo três filhos. 

   Já entrando na segunda parte, ou na pessoa jurídica, o próprio Chico Buarque de Hollanda narra quem são seus principais parceiros, as músicas que marcaram as parcerias ou as outras que compunha
sozinho; traduzindo: A segunda parte do documentário narra praticamente só os êxitos da carreira, e não as dificuldades, fato este que senti falta; é bom saber os dois lados da laranja. 

   Todavia o filme tinha de continuar e então entremos na terceira e melhor parte do documentário; Onde a saga de Chico por seu desconhecido irmão alemão. Para quem leu o último livro de Chico ( Irmão
Alemão ), logicamente estará mais por dentro da narrativa, mas para quem ainda não leu o entendimento também é possível. Em suma temos o Chico pegando um avião à Berlim, e lá, encontra pista que seu irmão também tinha sido um artista, mas só que de televisão, tipo ator, e que com sorte teria conhecido ao menos uma música do seu irmão ( A Banda ), sem certamente saber de quem era.

   Às duas horas de filme se passam instantaneamente pelo fato de principalmente termos o narrador como próprio protagonista do filme; e Chico, com sua graciosidade peculiar, contando sua história é definitivamente a cereja do bolo deste ótimo documentário.
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 Meu Verão na Provença, de Rose Bosh, França, 2015. Nada é o que parece ser; este poderia ser um outro título ao filme. De início somos enganados em achar que estamos sendo apresentados a uma típica família francesa super feliz da vida, afinal de contas, todos eram aprazíveis, bonitos e educados. 

    Entretanto quem vê cara não vê coração, e logo percebemos que de perto ninguém é normal. Uma suposta adolescente de dezessete anos e seu irmão de dezesseis estava na verdade, bem descontentes e mal-humorados, por ver a separação dos seus pais, que, além disso, ou inclusive por isso os filhos
estavam querendo se livrar dos dois de uma vez por ambos usarem os filhos para interesses próprios. 

   O que acontece que a vó, vendo aquela guerra, “rapta” seus netinhos, afim que conheçam seu avô durão que vivia na Provença. O desdobrar da relação de divórcio dos pais é “captado” pelo avô, que, hippie em outras épocas, mas agora um velho sensível, porém pavio curto, caso quem quisesse
briga com ele, era só dizer. 

   Salientando a trama, agora existiam dois problemas; a separação dos pais e a relação com esse senhor que agora eles teriam que chamar de avô. 

   Além de gostar do campo e não ser nada simpático, o avô queria colocar na rédea aqueles netos que jamais imaginaria tão imbecis, ao mesmo para os olhos dele. No puro ar de verão da Provença aqueles sujeitinhos parisienses metidos à bestas, não queriam papo com um ser tão rústico como era
seu avô materno. Ficava o dia todo nos notebooks ou videogames, até que um dia a avó decide pegar seus netos e ir passear pela maior cidade que tinha nas redondezas para aliviar o clima ruim que estava em casa. 

    Nesse passeio começamos a ter ideia no que o filme se desenrolaria; a menina de dezesseis anos se atraca com um italiano garanhão, e seu irmão de quinze se entusiasma com algumas suíças que estavam de férias também na região. 

   O ponto alto da ação dramática surge quando o avô, mesmo alcoólatra, resolve colocar em suas asinhas
e proteger potenciais arrombadores de virgindade da sua neta, mais especificamente. Ação esta que deixa sua neta “p” da vida, pois a menina estava com a libido à flor da pele com sua idade e o avô, logo ele, que não a conhecia, veio a barrar o astral da moça. 

   O desfecho da comédia dramática é meio que tipo um estilo da novela Malhação, onde o mais velho sempre tem razão no final, coisa que na vida real nem sempre é assim; um filme para rir e acabar
o dia de bem com a vida.