sexta-feira, 18 de setembro de 2020
Colunistas / Cinema
Diogo Berni

A história de uma pena e o curta Haram

Para falar com Diogo Berni - diogoberni@yahoo.com.br
07/11/2015 às 12:21
   Haram, de Max Gaggino, Brasil, 2015. Premiado este em Gramado pelo júri principal e em Salvador com uma menção honrosa, o curta baiano mostra a estória atípica, porém atual, de um casal palestino que se muda para Salvador fugindo da guerra em seu país. 

   De inicio temos uma câmera móvel captando a estranheza das pessoas, sem montagem alguma, vendo aquele casal estranho em pleno relógio de São Pedro. A mulher com uma burca preta, originária da sua religião muçulmana, indumentária esta que chama ainda mais atenção sobre o casal surreal em pleno centro de uma Salvador quente e cheia. 

  Em uma outra tomada temos um diálogo entre janelas da mulher muçulmana com uma garota que enxergam suas diferenças de uma forma cômica e sem preconceitos, forma esta que acontece pelo olhar de uma criança do outro lado do apartamento, um olhar ingênuo, mas não bobo. 

   Poderia ser mais um dia em um país estranho na vida da mulher muçulmana, mas devido a sua vizinha infante a sua tarde fica mais confortável, e ela por sua vez fica mais leve com a cidade que está vivendo. O filme curta pode ser encarado como uma atitude que temos que ter perante as guerras mundiais e seu fluxo de emigrantes, ou seja, tratá-los de uma forma mais igualitária.
                                                                          *****
    História de uma pena, dirigido e roteirizado por Leonardo Mouramateus, Brasil, 2015. Com um viés puramente catártico o filme mostra a sala de aula de um professor de poesia sem pulso, e por este motivo, desmotivando seus alunos a aprenderem a disciplina. 

   Todavia ainda assim o filmeconsegue levantar muitas questões, tais como: Qual o papel do ensino na
formação artística? Qual o limite entre o aprender e o fazer? Sem sombras de dúvidas o filme desse virtuoso diretor cearense é um tratado sobre limites em vários sentidos. 

   Por um lado, a trama circunda uma situação, sem nunca interferir ou expor o cerne dela. Por outro, a obra trabalha o limiar entre diversos campos limítrofes: cinema e literatura; professor e aluno; dentro e
fora; ontem e hoje.

  Não é à toa que Leonardo Mouramateus meio que se despede do cinema para estudar belas artes em Portugal, e o filme, dá várias “deixas” desse desejo pictórico do diretor, seja em sua fotografia, nos figurinos amplamente claros dos personagens, e principalmente a maneira visceral, e por isso nítida e “clarificante” do protagonista do filme, que é o professor de poesia, obvio também que é uma espécie de alter –ego do diretor, como não poderia ser diferente. 

   História de uma pena foi premiado no XI panorama coisa de cinema realizado em Salvador nesta última semana, e certamente será premiado em outros vários por se tratar de uma pérola múltipla que consegue transpor barreiras artísticas e unir vários segmentos como pintura, literatura, cinema,
teatro e ainda colocá-los todos em um liquidificador obtendo um resultado que se deixa enxergar todas as artes ali embutidas na obra, uma arte meio que azulejando outra, e o resultado é de fato excepcional e imperdível.