sexta-feira, 18 de setembro de 2020
Colunistas / Cinema
Diogo Berni

Party Girl, um híbrido fascinante

O filme é fascinante por não termos certeza se nossa protagonista interpretava ou apenas se lembrava das coisas que já tinha vivido, ou mais provavelmente as duas coisas
24/10/2015 às 11:03
  Party Girl, dirigido e roteirizado pelo trio Samuel Theis, Marie Amachoukeli, Claire Burger com Angélique Litzenburger e Joseph Bour, França, 2014. 

   Há uma “meia que nova tendência” em voga na sétima arte que são os tais de filmes híbridos; “Meia nova tendência”, pois não trata-se de tão nova assim, principalmente em festivais, entretanto
para os leigos ou cinéfilos descompromissados o gênero do hibridismo é uma super novidade. 

   Quando afirmamos que uma obra fílmica é híbrida ou esta vem nomeada pelo nome, é somente porque não é possível fazer algum tipo de classificação ou distinção ao qual gênero cinematográfico tal filme pertence, pois os “híbridos” abrangem ou misturam-se vários gêneros fílmicos na mesma obra, como suspense ou drama com documentário.

   Todavia a melhor classificação que podemos fazer de filmes ditos como híbridos é a sua mistura do real com o fictício, trocando em miúdos, da ficção com o documentário. 

  Tendo-se a percepção desta nova forma de se produzir um filme, podemos agora, com propriedade de causa e assunto tecer algumas linhas acerca do filme mencionado no inicio da crítica. Na híbrida obra
fílmica Party Girl temos uma protagonista real, ou seja, uma pessoa civil comum que auto se interpreta. 

   Trata-se de uma acompanhante de cabaré que começa a ver a idade chegar, e com isso, impossibilitando ou limitando o oficio de ser uma profissional do sexo; Único emprego que fez durante sua vida inteira. 

   Com a intempérie em se ver inútil para com seus clientes, e principalmente para a cabeça dela própria, a nossa cinquentona começa a ficar depressiva por não ser mais procurada pelos seus clientes devido a sua idade avançada. 

   Porém nem todos seus clientes a deixa na deriva, pois um dos seus mais assíduos ainda insiste em ter os serviços da mulher experiente. Esta incomodada do motivo pelo qual tal cliente ainda a procura o indaga e este por sua vez faz mais uma surpresa para a senhora cinquentona que de tanto fora castigada pela vida, obviamente não acredita no que acabara de ouvir. 

   Agora seu único cliente a pedira em casamento, pois como ela, estava chegando à casa dos sessenta, e por isso gostaria de ter uma companhia na terceira idade. Na situação ou vendo às rugas chegarem ao seu rosto à mulher aceita o pedido e saí do cabaré para morar com seu novo “antigo-cliente”,
ou melhor, agora marido. 

   A saída do seu local de trabalho estava mais que na hora, pois por não arranjar trabalho a mulher se afundava cada noite mais nos drinks e ainda arrumava confusão com os clientes que a não queriam, mesmo bêbada.

   O filme é fascinante por não termos certeza se nossa protagonista interpretava ou apenas se lembrava das coisas que já tinha vivido, ou mais provavelmente as duas coisas. O gênero do hibridismo chegou ao cinema, e acho que para ficar de vez, pois se a obra fílmica for mais lancinante e visceral, esta tem uma tendência maior em ser aceita pelo fato do espectador se identificar com aquilo que está sendo visto e contado; E Party Girl é um bom exemplar desta mescla de ficção com documentário.