quinta-feira, 20 de fevereiro de 2020
Colunistas / Cinema
Diogo Berni

Mélanie Laurent em Respire aborda adolescência

Veja comentário de Diogo Berni
17/10/2015 às 12:09
   Respire, dirigido pela estreante Mélanie Laurent, França, 2015. A melhor ilustração que podemos ter desta obra fílmica seria o jargão popular: “De quem com ferro fere, com ferro será ferido”. 

   Entretanto seria um crítico Spoiler se mostrasse o porquê de tal jargão ser ideal para resumir o
filme; E como quero que todos vão ao cinema, não contarei o seu final, apenas darei algumas opiniões para motivá-los a saírem de suas casas e irem ao cinema mais próximo. 

   Seguinte: Hipocrisia de lado, todos sabemos que existem pessoas boas e ruins, raivosas e caridosas, invejosas ou apenas relapsas. Sim, dentro de cada um de nós existem vários seres bons e ruins ao mesmo tempo, pois o ser humano é complexo por natureza; Todavia podemos fazer a distinção de quem quer só sacanear o tempo inteiro, e de quem sacaneia só de vez em quando.

   Pois bem, com esta introdução apresentamos a duas protagonistas da obra fílmica tipicamente
francesa; Duas adolescentes: Sarah (Lou de Laâge), a canalha, e Charlie (Joséphine Japy), a inocente. E estes dois personagens calharão de serem mulheres e adolescentes, mas poderia ser dois homens adultos, por exemplo, pois essência humana é o tema em questão, então pouco importa o sexo ou a idade desse ser. 

   No filme e enxergamos inicialmente duas mulheres totalmente diferentes, e talvez por esse motivo, se apaixonarem uma pela outra. Quando refiro-me a paixão não é aquela que por acaso esteja a imaginar. A paixão das mulheres-garotas era de uma querer ficar com a outra somente pela presença e nenhum outro sentimento mais. 

   Enquanto Sarah era libertina e esperta que sabia curtir festas e a vida como ninguém ( quem não admira uma pessoa assim? ), a nossa amável Charlie era o oposto disso: Tímida, doce, ingênua e humana. 

   Logo quando se conhecem em sala de aula as coisas se dão super bem, com direito a baladinhas perfeitas e boas doses de haxixe para nunca pararem de rir, e com isso nunca ficarem enjoadas uma da outra. 

   Entretanto com o tempo as pessoas tendem a mostrarem sua própria face geralmente quando pisam nos seus calos, e aí então que o discurso narrativo da obra fílmica muda drasticamente, mas especificamente quando a amável Charlie descobre que Sarah tem uma mãe alcoólatra. 

   Após o evento descrito o que vemos são bullyng atrás de bullyng da Sarah para com sua amiga ou ex-amiga Charlie. A nossa amável Charlie consegue suportar tantos bullyngs, em um período curtíssimo
de tempo, devido ao exemplo que tem em casa: Uma mãe sem personalidade que aceita as idas e vindas do seu marido na hora e dia que ele bem quisesse ou entendesse. 

   Com um exemplo deste é natural que nossa protagonista assuma uma postura do tipo: “Tá bom, quer me sacanear, pode fazer isso, vou superar ou mereço sofrer mesmo”. 

   Quando mencionei que se trata de um filme de características humanas , e estas não tem necessariamente nada a ver com gênero ou idade, é porque conseguimos nitidamente enxergar o lado sádico de uma pessoa quando esta quer ser deste modo, e por outro lado vemos também a consequência de quem sofre tal sadismo. 

   A direção da ainda atriz Mélanie Laurent é um trunfo a mais da estória contada, mas sem dúvidas que a interpretação das duas personagens principais fazem toda a diferença, e isso sem mencionar que noventa minutos para um filme deveria ser o tempo necessário para sair do cinema “respirando bem”, e isto de fato acontece.