ter?a-feira, 25 de fevereiro de 2020
Colunistas / Cinema
Diogo Berni

Homem irracional de Woody Allen apenas mediano

Dois razoáveis filmes para este final de semana
03/10/2015 às 13:21
 Homem irracional, dirigido e roteirizado por Woody Allen , EUA, 2015. O nome o filme vem exatametante do oposto disso, ou seja, o que iremos resenhar não se trata de nenhum homem irracional, mas sim um extraordinário pragmático, e por isso incrivelmente racional, cartesiano, e que por tais características não vemos por acaso de bobeira na esquina. Agora multiplique estes esquenados e então terás um roteiro “Holliwadiano” ( Woody Allen mais Hollywood )que fatalmente se desencaderá em um formato fílmico. 

Incialmente na trama temos um professor de filosofia e uma aluna que lhe chama a atenção, e nesse mês meio "termo" temos o professor que tem uma tese a defender de um filosofo desconhecido, mas que para ele é um gênio, e ainda um caso com uma professora, trocando em miúdos tem dois casos ao mesmo tempo. Diálogos acontecem e sucedem-se bem ao estilo do diretor de explicar o explicado, porém com sua baita genialidade já conhecida por todos. Fato que acontece o que é de nós esperados, ou seja, algo suscetível, concreto na narrativa dramática do filme. 

O professor mata alguém. E ninguém que de fato lhe tenha feito concretamente algo ou alguma coisa. Assassinato este causado por um soslaio e de tocaia, é importante salientar este parte, que nosso protagonista ouviste em um coffe bar , uma conversa de uma suposta vítima que estava sendo injustiçada em uma ação que imprimaria o filho desta personagem. Em função desta ação que ouvistes de soslaio ou de beira de ouvido, não sabemos que, por hora tal acusação seria fato verdadeira ou fato falsa. 

Todavia sem pestanejar nosso protagonista tira o gatilho ou inicio de sua ação dramática do ar e então resolve agir, planejando uma ação para matar tal juiz. E esta se sucede com sucesso e sem mais perigos com o ator colocando veneno no café do juiz em um parque público. 

A síntese da trama está no exato momento do assassinato, tirando os romances e tudo o mais. O curioso é que o protagonista não sente a mínima culpa em matar alguém, que aos olhos deles, só fez mal a sociedade. Aí que está a comparação com o livro russo Crime e Castigo, pois para Woddy Allen ele acaba de criar o seu próprio Crime e Castigo para aquilo que chamamos de justiça indigesta. 

Para um diretor que está mais preocupado em tocar seu jazz que de fato fazer filmes, e isto só o faz pela grana, já é um bom exemplar da sua obra fílmica obrigatória anual, e que folêgo tem tal diretor. 
                                                                               *****
De cabeça erguida (La Tête haute), dirigido e co-roteirizado por Emmanuelle Bercot, com Rod Paradot e Catherine Deneuve, França, 2015. O filme abriu o festival de Cannes desse ano. Os franceses gostam do tema: “adolescentes -aborrecentes”. Todo ano um filme com o tema tem destaque no principal festival do seu país, entretanto vamos a este que pode ser classificado como um filme feito por atuações, e não necessariamente para fatores técnicos cinematográficos. 
O enredo conta a estória de um garoto problema que desde os seus seis anos já frequentava as delegacias para menores infratores. Pergunto-me: Como um moleque de seis anos consegue roubar algo ou alguma coisa? Introduções de roteiro errôneas à parte esta produção gaulesa segue no ritmo do garotinho de seis anos crescendo e se aperfeiçoando a ser um infrator. Importante salientar que sua mãe, quem o criava, era relapsa e usuária de drogas, e tinha ainda outro filho menor, que pouco se importava para ele também.

 Sem pai e tendo que segurar os ponteiros da mãe e ainda se preocupar como pai para com seu irmão caçula, o nosso protagonista tem explosões múltiplas durante todo o filme. A ira do garoto acontecia nas mais diversas adversidades, tais como: A diretora da nova escola chamando sua atenção, a mãe não ligar pra ele, a juíza não ser boazinha no seu caso, o guarda o repreender de forma mais ríspida, etc.

 Fato é que na sua última traquinagem o garoto, agora com dezesseis anos, é levado a uma prisão para delinquentes. Lá ele consegue se ajeitar e até arruma uma namorada. A principal virtude do filme não está em seu roteiro, este bem comum até, mas na atuação do nosso protagonista que emerge em fúria para nos indicar ou informar do que a essência humana é capaz; Então é bom não cutucá-la com vara curta.