sexta-feira, 18 de setembro de 2020
Colunistas / Cinema
Diogo Berni

Grandes Olhos, de Tim Burton, apenas razoável

Veja comentário de Diogo Berni
05/04/2015 às 13:10
Grandes Olhos, dirigido por Tim Burton , EUA/Canadá, 2015. Trata-se da primeira cinebiografia do diretor de filmes como Eduard mãos de tesoura entre outros sucessos. 

A escolha da pessoa a ser cine- biografada é um tanto corajosa, já que a personagem é do mundo da pintura. Alias não se trata apenas de mais uma pintora, mas sim da artista que mais vendeu quadros em sua época no mundo.;

Refiro-me ao inicio da segunda metade do século XX. A história é passada no estado da Califórnia, e com algumas idas ao Havaí, porém nada de Europa.

O filme já é em si uma surpresa haja vista que ninguém imaginaria que o diretor quisesse se aventurar em dramas, já que não é sua praia. E tal aposta só comprova que de fato cada um tem que ficar fazendo coisas que sabe fazer e não inventar o que não sabe.

 Todos sabem que o diretor fez o seu nome com filmes mais leves e engraçados, e agora ele vem com uma bomba dessa pesada, como poderia dar certo?

 A obra fílmica conta a vida de famosa pintora Margaret Keane, muito bem interpretada por sinal, pela atriz Amy Adams ( alguns críticos dizem que ela salvou o filme e a pele do diretor, e acho que é mais ou menos isto mesmo ). Com uma filha pequena e sem marido a artista cai na lábia de um suposto pintor amador cujo nome era Walter Keane , bem interpretado também pelo austríaco Christoph Waltz.

 Correndo o risco de perder a guarda da filha para seu ex-marido e pai da criança, ela aceita um
repentino pedido de casamento de Walter Keane poucos dias após terem se conhecido. Por motivo de força maior a pintora acaba por aceitar se casar com aquele cara quase estranho pra ela. Seu agora atual marido era um exímio vendedor e um frustrado pintor.

 Finge praticamente o filme todo que tinha feito algumas molduras da cidade de Paris, mas na verdade não sabia pintar nada. Todavia como se tratava de um artista frustrado ele tem a ideia de falar aos outros que aqueles quadros que estavam começando a fazer sucesso, sempre com crianças com olhos esbugalhados e grandes era obra sua, já que assim, com a lábia do charlatão e o talento da pintora a fama e o dinheiro viriam mais fáceis.

 É importante salientar que a pintora concorda com a farsa criada pelo marido e de fato os negócios prosperam tanto ao ponto de o senhor Keane ser considerado como o “pintor” mais bem sucedido do mundo naqueles tempos. 

Apesar do filme não ser a todo o momento uma maravilha, porem existe algumas peculiaridades nele que faz enxergarmos como é ou seria o mundo da pintura, e principalmente como um pintor vê e se comporta neste mundo, ou no mundo que eles criam para si próprios. Como se trata de uma cinebiografia, e então por isso de uma história verídica, podemos perceber o que a inveja humana é capaz de fazer.

 Completamente jogada “a escanteio” e presa dentro de um quartículo que era seu ateliê, a pintora mau via sua filha, não tinha tempo e nem podia deixar que a única filha descobrisse que era ela que pintava aqueles quadros das crianças de olhos grandes abandonadas ao relento nas ruas.
O sucesso dos seus quadros fora tão grande na época que a UNICEF encomendou uma super tela
para colocar na recepção da organização que representava e “defendia” as crianças ao redor do mundo. Após ver tantas exposições dos seus quadros, e ainda por cima tendo de servir champanhe aos convidados, e por outro lado o seu “genial “ marido sempre ganhando os lôros do estrelato das obras inovadoras pelo expressionismo daqueles olhos grandes para a época, a pintora após uma bebedeira do marido falsário resolve abandoná-lo, levando consigo alguns quadros e sua filha para o Havaí, o local onde se casou com o crápula do agora seu segundo ex-marido. 

Após hum ano e já convertida pelas senhoras havaianas a ser membro das testemunhas de Jeová, a pintora resolve abrir o jogo para a mídia e afirmar que todos aqueles quadros que há dez anos todos admiravam não eram feitos por seu ex-marido, mas sim por ela. O cara logicamente tenta desmenti-la, falando na mídia que sua ex-esposa tinha ficado louca. Não deu outra: Com cada um com sua verdade tiveram que se reencontrar em um tribunal para saber quem estava com a razão. Não vou contar mais sobre o filme e principalmente como este acaba, mas posso-lhes adiantar que, para quem gosta de pintura e artes de uma forma geral, o filme é uma bela pedida, apesar de não ser um dos melhores do diretor Tim Burton.