sexta-feira, 18 de setembro de 2020
Colunistas / Cinema
Diogo Berni

TIM MAIA no cinema e na TV, a trajetória de um ídolo

Duas maneiras de conhecer melhor Tim Maia
10/01/2015 às 10:19
  Estava matutando com meus botões a fim de qual filme escrever para a segunda semana de janeiro em minha coluna semanal de cinema. Pensei em alguns, já que tenho visto muitos ultimamente para fugir do verão nordestino e suas praias e shoppings sempre entupidos. Mas após rever a readaptação da rede globo de televisão sobre um dos melhores filmes nacionais de 2014, não pude evitar em pensar mais em Tim Maia do que qualquer outro visto. 

   Tim Maia, dirigido por Mauro Lima, Brasil, 2014. O filme é baseado na cinebiografia escrita pelo amigo Nelson Motta, porém a cinebiografia é cortada em duas para se transformar em um tipo de minissérie de dois dias ( quinta e sexta ) e surpreendentemente fica melhor que o filme original, apesar do corte de um dia para outro. 

   Na minissérie ou documentário feita pela Globo , esta teve uma maneira ajuda ou auxilio de outros compositores e cantores que estavam no filme mas não tinham dado sua impressão acerca do amigo porra louca Tim Maia. Erasmo e Roberto Carlos, assim Gil, Chico e Caetano deram suas opiniões sobre o rei do soul brasileiro e por isso o documentário global ficou mais completo que o filme, pois acompanhávamos o que de fato os “seus amigos artistas” falavam do rei da Black Music tupiniquim, e assim nós mesmos tirávamos nossas duvidas sobre quem era de fato amigo do Tim e outros que só queriam sacaneá-los. 

   O que este critico de cinema percebeu é que somente o Erasmo Carlos era amigo verdadeiro do Tim e o Roberto Carlos era o mais sacana de todos, e nem sequer lembrava ou não queria lembrar ,que quem o lançou fora aquele negrinho marrento da Tijuca com sua banda: Os Sputinicks, que tinha Erasmo e Roberto Carlos junto com Tim Maia na sua formação. 

   Com o suburbano rei Roberto Carlos dando um calote no Tim e nos Sputniks, o nosso rei do Soul arruma um jeito e se pica para beber na fonte do seu ritmo preferido, ou seja, Em Nova Iorque, nos Estados Unidos. Experimento seu primeiro baseado e conhecendo a época da efervescência do jazz e blues em new York, Tim Maia faz de tudo para sobreviver na terra das oportunidades. Até se presta a ser baby-sitter ( você daria seu bebe para Tim Maia cuidar ?), mas como o cara era muito doido logo entra num esquema de sempre pequenos furtos para parar com esses trabalhos chatos e então eis que um dia decide roubar um carro junto com seus amigos vagabundos para fugir do rigoroso inverno de Nova Iorque e partir para o sol da Flórida. 

   O problema da viagem é que esta não tinha planejamento alguns, somente caras chapados de tanto fumo e em uma das blitzen até a Flórida a policia os pega e Tim vê o xadrez durante seis meses em solo do tio Sam. Motivo mais que necessário para Tim Maia decidir voltar ao Brasil. Chegando por aqui ele não acredita que aqueles “Zé Ruelas” e que cantavam inclusive bem menos que ele, se tornarem ídolos da música brasileira. Tim Maia não acreditava como o Brasil estava tão atrasado musicalmente que até o Roberto Carlos “comedor de restos de comida” nos tempos da banda os Sputinicks, agora era um pop star. 
Tim tinha que tentar arrumar seu lugar ao sol tupiniquim também, afinal se aqueles caras estavam fazendo sucesso, ele também faria, pois era melhor que todos juntos. Mas para o negrão invocado ter alguma chance teria que pedir ajuda ao Roberto, que já nesta época era o rei do "ye-ye-ye". Tim Maia tinha que passar por seu orgulho e pedir uma força a ele; E o fez quando viu uma brecha de colar no pop star. 

   Mais uma vez o seu talento o salva e Roberto grava uma musica sua que é sucesso rapidamente. As portas das gravadoras reconhecem o talento do cantor soul e grava seu primeiro álbum. Daí pra frente todos já sabem como acaba; Tim Maia transforma a música brasileira com as influências da música negra que absorveu no período que estava nos States, acabando de uma vez por todas com essa história de que no Brasil só se tocava Bossa Nova de João Gilberto, que Roberto, Erasmo, Caetano, Chico e Gil tentavam copiar. No tocante aos atores que fizeram Tim Maia ( Robson Nuneus e Babu Santana ), eles tiveram um maior esforço e boa vontade para roubar o rosto do Tim contemporâneo, mas não conseguem. Posto esse ainda reinado pelo neto do Silvio Santos e ator global Tiago Abravanel.