quarta-feira, 19 de junho de 2019
Cultura

LOBISOMEM DE SERRINHA abre 2019 saboreando uvas em Zaragoza, Espanha

Uma noite belíssima com uvas doces e nenhuma amarga para atrapalhar o ano de 2019
Lobi da Serra , da redação em Salvador | 08/01/2019 às 18:31
Lobi da Serra indo ao encontro do parte Ugo às margens do gelado Ebro
Foto: BJÁ
   Fui passar a virada do ano viejo como dizem os espanhóis em Zaragoza, cidade fundada em 14 a.C, às margens do Rio Ebro, comunidade autônoma de Aragão, em companhia de um parente nosso da Transilvânia, Hungira, pátria dos lobis, que mora nas proximidades da abadia de Nossa Senhora del Pilar e enfrentei um frio do outro mundo de - 2 graus centígrados, uma vez que, aqui na Serra, o sol tá de fritar ovos numa frigideira dessas modernas que não precisam de óleo, e senti um choque térmico que quase fora convidado por Jesus para fazer companhia em sua morada.

   Salvou-me a experiência de anos de vida, em 2019, completando 282, e a andança com meu parente de nome Ugo, com U na inicial, até a praça da abadia-catedral onde havia um fogo de chão com leitões que estavam a ser assados na brasa sob o comando de um baixote gordo com cara de mongol e por lá encostamos para degustar un vino quente e aproveitar o gigante fogareiro para nos aquecer e papear, lembrar da nossa ancestralidade e de outros parentes que pelo mundo estão espalhados porque nós, os lobis, que o serrinha Jorge Lyrio chama de 'lubi' estão por toda parte.

   E lembrei que o fogo de chão onde os porquinhos estavam sendo temperados e assados numa trempe de ferro lembravam o porco que dona Paula Giovanini e seu consorte André servem na festa do clube do cavalo de Lauro de Freitas, a hípica de Vilas do Mar Atlântico, e deu-me saudade do Tenebroso que engoliu tantas embarcações na época das navegações portuguesas, porque às margens do Ebro, onde encontrei com meu parente e compadre, o frio era cortante como uma gilete que faz barba em cara de árabe peludo.

   Zaragoza, dizia-me o parente ao pé da trempe do mongol, assim suspeito que o seja, "és una ciudad encantadora ainda de la época de César Augusto", ele já falando espanhol porque há anos reside por lá, e eu tive que concordar porque estava com mi esposa Ester Loura no Goya Hotel e fomos bem recebidos desde que colocamos nossos pés no saguão e o distinto senhor da portaria quis saber, de chofre, se iriamos comemorar a virada do ano comendo as doze uvas, uma para cada mês, dulces, Porque se uma delas fosse amarga, ou mais de uma, significava dizer que alguns meses de 2019 não serão buenos para nosotros.

   Como ando capenga de um lado com bursite e tendinite, dores na coluna e 'stentes' no coração, disse ao nobre da portaria, ele próprio com a cara de Francisco Goya com vistoso bigode turvo, que iria a festa das uvas, sim, reveria um parente da familia Lobi e pedi ao distinto para indicar-me um local que vendesse as 12 uvas todas doces, uma vez que de mês ruim já estou farto e muito farto por sinal.

   Então o distinto indicou-me uma bodega na própria 5 de Marzo que é a rua do Goya e até deu-me o nome de um vendedor que se chamava Peleteiro que, se diga, nem sei se é parente dos Peleteiros da Serra, e assim o fiz e só comprei uvas dulces para mim e para a Ester, antes mesmo de encontrar-me com o compadre Lobi. E também comprei as tais uvas para meu menor Hpito, que nos acompanhava com sua esposa Bitória.

   E quando yo e Ester chegamos às margens do Ebro para encontrar o Lobi foi um momento de grande emoção e ele estava acompanhado de sua madame que se chama Olimpia e fomos até a catedral para assistir a missa e oramos em conjunto e saudamos os irmãos ao lado quando o padre assim mandou, E depois fomos a tenda dos porquinhos assados para un vino e bocadillos con essa delicia temperada à moda Giovanini e adelante seguimos até a praça onde uma locutora anunciava a muerte del ano viejo, 2018, e a chegada do nuevo ano, e asssim que os sinos da abadia começaram a tocar a meia noite, a cada badalada ingerimos uma uva e tinha que ser ágil nas bocas pois passado o minuto lá se foram as 12 badaladas e deu-se a chegada de 2019.

   E assim fizemos obedecendo o ritual local e posso assegurar aos distintos leitores que saboreei as 12 uvas, yo, a Ester, Ugo e comadre e Olimpia, e mais Hpito e Bitória, e não saberia dizer se todas as tais uvas eram dulces ou não dada a rapidez da degustação, mas, como não sou bobo, disse que as minhas todas foram dulcissímas e o mesmo falaram Ester, o compare e a compadre Olimpia e os meninos.

   Para arrematar Ugo espocou uma cave espanhola que o compadre trouxe numa sacola de plástico e bebericamos duas botellas para saudar 2019 e acalentar o corpo.

   Después, nos despedimos dos compadres e seguimos para o Goya com passo de marcha batida, apressados e engolidos pelo frio, até chegar ao leito nupcial. Assim deu-se a nossa virada do ano. 

  As uvas fizeram bom efeito teria dito Ester no desenrolar da madrugada.