quarta-feira, 21 de novembro de 2018
Cultura

Vai começar a IV Balada Literária da Bahia

Evento acontece de 14 a 17/11 na casa do Benim
Ana Cristina Pereira , Salvador | 08/11/2018 às 11:30
Marcelino Freire
Foto: Marco Del Fiol

Já estabelecida no calendário cultural da cidade, a Balada Literária da Bahia chega à quarta edição, entre os dias 14 e 17 de novembro, celebrando a força dos encontros artísticos e o poder político e transgressor da arte. Realizada uma semana antes da edição paulista do evento - que está no 13º ano - a versão baiana elege como seu principal homenageado o cantor e compositor Lazzo Matumbi, mas também celebra as obras do cantor Itamar Assumpção e da escritora Alice Ruiz, os homenageados nacionais.

Nos quatro dias, a Balada baiana oferece uma programação que combina saraus, bate-papos, oficina, lançamentos e performances artísticas. Entre os destaques desta edição estão as presenças das cantoras Anelis Assumpção, Alzira E, da escritora Alice Ruiz e de Carlos Verçosa, escritor e pesquisador parceiro de Itamar Assumpção na juventude; o lançamento em Salvador de Bagageiro, novo livro do escritor Marcelino Freire; a presença do autor moçambicano Ungulani Ba Ka Khosa, pela primeira vez na Bahia; uma conversa musical com Lazzo; a edição especial do Sarau Bem Black; e uma conversa-oficina sobre produção literária em tempos digitais, que contará com a participação de Talita Taliberti, gerente de autopublicação da Amazon.

     Este ano, todo o evento acontece na Casa do Benin, no Pelourinho.  E a programação começa na quarta (14) com uma edição especial e afetiva do Sarau Bem Black, que celebra o Novembro Negro e as obras essenciais de Lazzo Matumbi e Itamar Assumpção (1949-2003). As canções dos dois artistas  marcam o ritmo da discotecagem da noite do DJ Joe. Apresentando por Nelson Maca, o Sarau tem entre os convidados a cantora Anelis Assumpção (filha de Itamar) e os escritores Marcelino Freire e Alex Simões.

Idealizador e articulador da Balada Literária de São Paulo, o premiado autor pernambucano Marcelino Freire é um entusiasta dos encontros literários marcados pela espontaneidade e pelo diálogo entre o novo e estabelecido.  Ele divide com o poeta Nelson Maca a curadoria da edição baiana e estará presente em várias atividades. Na abertura, apresenta aos baianos o recém-lançado Bagageiro (José Olympio), livro que reúne contos, ou ensaios de ficção, como define Marcelino.

            “Eu estou amando este filho novo que é o Bagageiro. Gosto dele porque eu não sei o que esse livro é, de fato. Vou ler alguns trechos em Salvador. Vou querer a ajuda do leitor baiano para perceber o que esses meus ‘ensaios de ficção’ significam. O que eles estão gritando, ladrando para os novos tempos...”, afirma Marcelino. Na sexta (16h), ele media uma conversa literária e musical entre as cantoras Alice Ruiz e Alzira E, parceiras de vários trabalhos artísticos. E no sábado (10h), uma oficina sobre escrita,  organização e auto-publicação em tempos digitais, com um time reforçado: a escritora Gisele Mirabai, Prêmio Kindle de Literatura, Talita Taliberti, gerente de autopublicação da Amazon; Evanilton Gonçalves, escritor lançado pela Paralelo 13S, e Itamar Vieira Vieira Junior, Prêmio Leya de Literatura 2018.

            Outro momento que promete uma movimentação intensa será o Sarau da Diversidade, que acontece na sexta-feira (19h), conduzido pela artista e ativista baiana Bia Mathieu e por Ed Marte, que vem diretamente de Minas Gerais. Ambos apresentarão performances próprias e receberão artistas trans da cidade.    

Nelson Maca destaca a importância da realização de mais uma edição da Balada “que chega num momento tenso, quando a arte questionadora e sem amarras terá um papel fundamental no futuro imediato do país. A Balada representa nosso primeiro grito de reação bela e bélica a um presente assustador”, afirma Maca.  Além do Sarau Bem Black, Maca junta-se ao poeta e professor Wesley Correia na conversa (sábado. 17h) com o escritor moçambicano Ungulani Ba Ka Khosa, que lança o livro Gungunhana: Ualalape e as Mulheres do Imperador, pela editora Kapulana.  

No último dia, a Balada tem o prazer de receber Lazzo Matumbi, para contar um pouco sobre sua trajetória na música baiana e nacional, iniciada nos anos 70, no bloco afro Ilê Aiyê, e conversar sobre algumas das canções que marcaram gerações como Coração Rstafri´e Vem Correndo me Abraça e me Beija. Contando com a presença do cantores Dão e Lázaro Erê e da jornalista Ana Cristina Pereira, a mesa promete tira o fôlego dos admiradores desse grande artista.

A Balada termina com uma sequência de performances, a partir das 20h: homenagem a Alice Ruiz, com o grupo juvenil Este Tal recital; diálogo entre poemas das escritoras Conceição Evaristo e Carolina Maria de Jesus, com Vera Lopes e Emillie Lapa; e o show Paralelas, com Alice Ruiz e Alzira E e com participação do violonista Luiz Waack. O show é a única atividade paga do evento e custa R$ 20|R$ 10.   Durante toda a Balada acontece feira de livros dos autores participantes do evento e de editoras independentes baiana.    

 

SERVIÇO

Evento: IV Balada Literária de Salvador

Quando: de 14 a 17 de novembro

Onde: Casa do Benin (Largo do Pelourinho)

Ingresso: Gratuito, com exceção do show Paralelas, com Alice Ruiz e Alzira E