quinta-feira, 24 de agosto de 2017
Cultura

CÂMARA DE SALVADOR precisa devolver a Santo Antonio o padroado (TF)

Hoje, 13, é a data reservada a glorificar Santo Antônio, um dos santos mais queridos da Bahia
Tasso Franco , da redação em Salvador | 13/06/2017 às 12:10
Livro que escrevi sobre a trajetória de Santo Antônio na Bahia
Foto: DIV
   Neste 13, comemora-se a data religiosa da Igreja Católica Romana a Santo Antônio de Lisboa e Pádua. Eu escrevi um livro dentro da série "Causos & Lendas da Bahia" intitulado "Tenente Coronel Santo Antônio da Bahia", em 2012,  mostrando a trajetória do homem e depois santo, em vida, ainda Fernando de Bulhões, português de linhagem nobre nascido nos primórdios da Idade Média, em Lisboa, 1.185.

  E sua peregrinação até a Itália, onde se fixou em Pádua, tornou-se franciscano a partir de 1.220, quando adota o nome de Antônio, torna-se milagreiro e é canonizado como santo após sua morte. O livro foi de pequena tiragem 1.000 e está esgotada. As ilustrações são do pernambucano J. Borges.

   Descrevo também os possívelo milagres realizado pelo franciscano, ainda Antônio frade, peregrino, e mostro como começou sua adoração na cidade do Salvador a partir de um episódio acontecido em 1595, um naufrágio na costa da Bahia.
   
   Em 23 de agosto de 1595 uma imagem do santo foi encontrada na praia a 12 léguas de Salvador e levada a Francisco Dias D'Ávila, primeiro senhor da Casa da Torre, posteriormente entregue a Igreja da Ajuda e ao Concento de São Francisco, quando representantes da Câmara e do Cabido, a tomaram como padroeiro da cidade.

   A decisão de Santo Antônio tornar-se padroeiro da cidade foi da Câmara como consta da ordem do governador do Estado, Rodrigo da Costa, sendo que (diz Jaboatão) "de tudo se deu parte a El Rey que era então em Portugal o segundo Phelipe, e terceiro em Castela". Havia nessa época uma dominação filipina no Brasil graças a conquista de Portugal pela Espanha,  de Felipe II.

   Revelo também como Santo Antônio por ordenações reais se tornou soldado, capitão, major, até atingir a patente (cargo honoirífico) de tenente-coronel o Convento Franciscano recebendo soldo deste "militar". Ou seja, todo mês o Exército Imperal pagava ao convento uma grana correspondente ao soldo de tenente-coronel, graças a Santo Antonio e a benevolência de Dom João VI.

  E isso deu-se até 1858, quando o ministro da Guerra do Império era José Antônio Saraiva. A polêmico em torno do soldo do santo (para o Convento) prolongou-se até os primórdios da República.
   
   A parte religiosa ao santo, em Salvador, sempre foi muito forte, com o Santo Antônio Além do Carmo, um bairro; Santo Antônio da Mouraria (outro bairro de imigrantes mouros); de Santo Antônio da Barra, outro bairro, daí que é um dos santos mais adorados pelos moradores da capital.
  
   No entanto, perdeu o trono para São Francisco Xavier, o apóstolo jesuita das Índias, quando houve uma peste negra na cidade e os jesuitas inovocaram orações ao santo Xavier e a peste cessou, após muitas mortes. Isso no século XVII.

   A partir daí, por pressão dos jesuitas, congregação mais antiga da cidade, a Câmara aceitou trocar o nome do padroeiro numa agressão ao culto de Antônio, o que acontece até hoje.
   
   A data de São Francisco Xavier, espanhol considerado o santo patrono dos missionários, é 3 de dezembro, data em que faleceu em 1552, mas, na capital biana ninguém o cultua. Tem um procissão mixórdia com meia dúzia de vereadores conduzindo a imagem do santo (só tem a parte superior do corpo) pelas ruas do centro.

   A Câmara de Vereadores precisa devolver o padroato a Santo Antônio, de direito histórico, de fé do povo baiano e para o bem da cultura religiosa. (TF)